Búlgaros tomam as ruas em protesto contra a subida dos preços

Manifestantes exigem uma moratória no pagamento das contas de electricidade até que se faça uma auditoria às contas das empresas fornecedoras.

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À passagem pelo palácio presidencial, os manifestantes rejeitaram um convite do Presidente para uma reunião DIMITAR DILKOFF/AFP

A demissão do Governo de centro-direita liderado por Boiko Borissov não acalmou a fúria dos búlgaros, que hoje regressaram à rua para exigir o fim da carestia de vida, e em particular, a descida dos preços da energia.

Com cartazes de “luta por uma vida decente” e “abaixo os monopólios”, mais de dez mil pessoas marcharam na capital, Sófia, e muitos milhares em 40 outras cidades, avança a Reuters. Entre as muitas exigências dos manifestantes está o estabelecimento de uma moratória do pagamento das contas de electricidade referentes aos meses de Dezembro e Janeiro, para que sejam realizadas auditorias às contas das empresas responsáveis pelo fornecimento de energia, muitas delas estrangeiras.

Os custos da energia dispararam 13% no ano passado e, para muitas famílias, este Inverno as facturas da electricidade já ultrapassam o valor dos salários. A remuneração mensal média na Bulgária, o país mais pobre da União Europeia, não chega aos 400 euros, e o valor das pensões é sensivelmente metade.

O primeiro-ministro Boiko Borissov apresentou a sua demissão e comunicou ao Parlamento a dissolução do seu Governo minoritário na quarta-feira, depois de mais de duas semanas de protestos diários – a gota de água, para ele, foi quando a polícia de choque carregou sobre os manifestantes em Sófia. Hoje esteve na rua também, com os manifestantes.

Borissov tinha prometido um corte de 8% no preço da energia a partir de Março, e também renegociar os contratos e licenças com os operadores internacionais – as checas CEZ e Energo-Pro e a austríaca EVN, que em 2004 compraram os direitos exclusivos de distribuição de electricidade em várias regiões da Bulgária. Mas as medidas do executivo, liderado pelo Partido dos Cidadãos pelo Desenvolvimento Europeu da Bulgária, não convenceram os búlgaros.

“Há anos e anos que os políticos nos dizem que vão impor restrições aos monopólios e falham. Isto tem de acabar”, dizia Irena Mitova, uma pequena comerciante de 54 anos que saiu à rua em Sófia. “Fogo nos monopólios” e “máfia”, gritaram os manifestantes, que pediram a renacionalização das empresas de energia.

À passagem pelo palácio presidencial, os manifestantes rejeitaram um convite do Presidente Rosen Plevneliev para uma reunião, mas fizeram-lhe chegar uma carta aberta que responsabilizava todos os partidos políticos búlgaros pela aprovação de “políticas prejudiciais para a população”, nomeadamente as referentes à energia. Mas a missiva também continha críticas à “ineficiência” do sistema educativo, ou aos juros praticados pelos bancos.

Segundo um dos organizadores das manifestações, Yanko Petrov, o proptesto não era especificamente contra o primeiro-ministro demissionário ou o seu partido conservador, mas contra “todos os partidos” e o “sistema” político na Bulgária.

Para reclamar a renovação da política búlgara, muitas pessoas marcharam com vassouras, para “limpar o lixo dos últimos 23 anos no país”, escrevia a agência de notícias de Sófia Novinite.

O Presidente Plevneliev deverá dissolver formalmente o Parlamento esta semana, e encetar negociações para a constituição de um Governo transitório até à realização de eleições, que estavam previstas para Julho mas deverão ser antecipadas para Maio.