Ministro da Economia ouve Grândola e acusa PS de “chutar a dívida para o futuro”

Álvaro Santos Pereira critica Governo socialista por ter instaurado uma “política de bancarrota” e admite que é preciso suavizar a carga fiscal para todos.

Álvaro Santos Pereira foi recebido com protestos
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Álvaro Santos Pereira foi recebido com protestos Fernando Veludo/nFactos

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, ouviu nesta noite de sexta-feira um grupo de manifestantes cantar Grândola Vila Morena, pedir a demissão do Governo, gritar palavras de ordem como “Fora daqui: a fome, a miséria e o FMI” e “Emigra tu”, antes de entrar nas II Jornadas de Consolidação, Crescimento e Coesão, promovidas pelo PSD, no auditório dos Paços da Cultura de São João da Madeira.

O governante não parou perante os manifestantes, mas já dentro da sala, onde os protestantes foram impedidos de entrar, admitiu que é “natural que exista descontentamento” numa altura em que “estamos a viver os tempos mais difíceis de que há memória”, com uma taxa de desemprego histórica e com cada vez mais gente a emigrar.

Protesto enquadrado, o governante fez questão de recuar a Maio de 2011 para lembrar que, nesse mês, a dívida pública era superior a 100% do PIB. Um recuo ao passado para apontar o dedo ao Governo de José Sócrates. “Chutaram a dívida para o futuro”, acusou, exemplificando com as PPP e as obras da Parque Escolar. “Fez-se obra, inaugurou-se e os outros que se amanhem”, referiu, apelidando essa estratégia socialista de “política de irresponsabilidade, política de bancarrota”. “Nos últimos anos, cometeram-se vários erros, erros gravíssimos, que nos levaram a uma situação insustentável”, acrescentou.

Segundo Álvaro Santos Pereira é preciso ganhar escala, colocar de parte “as quintinhas”, combater o desemprego, não esquecer o tecido produtivo. Por isso, a aposta em áreas que contribuíram para o crescimento do país, nomeadamente no fomento industrial e no ensino técnico-profissional. “Portugal, durante muitos anos, esqueceu o sistema produtivo. Deu-se ao luxo de não ter agricultura, de não ter pescas. Foi uma ilusão que estamos a pagar caro”, afirmou.

Nas jornadas com os deputados do PSD Couto dos Santos e Ulisses Pereira, e o ex-secretário de Estado do Desporto e Juventude e actual presidente da câmara de Oliveira de Azeméis Hermínio Loureiro como convidados, o ministro ouviu pedidos para baixar a carga fiscal. E concordou. “Temos de ser capazes de conseguir baixar faseadamente o IRC”, disse, acrescentando que iria contactar já este sábado o ministro das Finanças no sentido de resolver as centenas de reclamações que todos os dias chegam ao Governo relativamente aos reembolsos do IVA. Álvaro Santos Pereira realçou ainda a importância de regressar aos mercados, admitindo que as taxas de juro são muitos altas para as PME e defendendo que a carga fiscal tem de baixar para todos para que o país possa ser competitivo.