Peugeot Mangualde contrata mais 300 trabalhadores

Foto
Fábrica vai poder produzir mais 285 carros por dia NELSON GARRIDO

A companhia repõe o terceiro turno, aumenta produção e prepara-se para chegar aos 500 milhões de facturação

A PSA Peugeot Citroën Mangualde, onde são produzidos os veículos Citroën Berlingo e Peugeot Partner, anunciou que vai contratar mais 300 trabalhadores a partir de Abril e, com isso, vai recuperar o terceiro turno dentro da unidade.

Num momento em que o mercado europeu atravessa uma crise de vendas, a marca diz que os dois modelos, tanto na Europa como em Portugal, têm "popularidade", o que obrigou a Peugeot-Citroën a voltar a acrescentar um terceiro turno na produção de modo a atingir um volume de 60.000 veículos anuais - o que significa mais 285 veículos produzidos por dia. Cerca de 95% das vendas da fábrica destinam-se à exportação.

Este acréscimo inverte o sucedido em Abril de 2012, quando a empresa decidiu reduzir o número de turnos de três para dois, despedindo 350 trabalhadores de modo a reagir ao volume anual de 43.950 veículos imposto pela crise.

A produção dos dois modelos tem sido influenciada por alguma volatilidade no mercado. Quando o terceiro turno arrancou, em 2010, os trabalhadores foram contratados por seis meses e também para responder à absorção das funções de soldadura da fábrica de Vigo.

A decisão de criar o terceiro turno representará um aumento em 36% a produção da unidade de Mangualde, para 500 milhões de euros anuais, e elevará para 1150 o número de empregados da fábrica.

Num comunicado em que anunciou o regresso do terceiro turno, a direcção da unidade portuguesa garante que as contratações irão privilegiar os trabalhadores que "no passado trabalharam na PSA Mangualde".

O recrutamento terá início imediato, que se seguirá um período de formação que irá estender-se pelos meses de Março e Abril, adianta ainda o comunicado.

Este investimento em Portugal acontece pouco depois de a multinacional francesa ter anunciado prejuízos de cinco mil milhões de euros no exercício de 2012. O presidente do grupo, Philippe Varin, justificou os resultados negativos com "o ambiente deteriorado do mercado automobilístico europeu".

Varin garante que, depois de ter procedido à limpeza do balanço da companhia, a Peugeot está agora em condições de encetar um plano de recuperação, depois de o ministro das Finanças Pierre Moscovivi ter descartado a possibilidade de o Estado intervir na empresa ou de avançar para a sua nacionalização. com José Manuel Rocha