Montenegro diz que democracia foi “abalroada”

Polémica sobre manifestações contra Governo aqueceu o Parlamento.

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Luís Montenegro reitera que futuro da RTP ainda não está decidido Daniel Rocha

“Não há democracia se os representantes legítimos do povo, por estes eleitos directa ou indirectamente, forem impedidos de expressar o seu pensamento”, afirmou Montenegro. O líder parlamentar do PSD condenou “expressões públicas de desagrado violento não passarão de atitudes antidemocráticas, despóticas e visceralmente intolerantes”. E destacou “um episódio” em que “a democracia foi recentemente abalroada”, num estabelecimento de ensino superior, sem referir os protestos de ontem contra o ministro no ISCTE.

Foi Bernardino Soares, líder da bancada do PCP, que recordou o episódio em concreto. “Quando o ministro já disse as maiores barbaridades, que expulsa estudantes do ensino superior por aumento das propinas, ele, logo ele, vai para uma universidade para discursar, vai à procura dos acontecimentos”, apontou, gerando um coro de protestos na bancada social-democrata. Montenegro respondeu: “Muitas vezes, os militantes e os deputados do PCP dizem coisas que se não são barbaridades andam lá perto, mas nunca calámos as opiniões do PCP.”

Pelo PS, o líder parlamentar, Carlos Zorrinho, partilhou da ideia de defesa da democracia, mas mostrou compreensão pelo descontentamento. “A falta de credibilidade do Governo é a principal causa do descontentamento”, disse Zorrinho.

O líder da bancada centrista, Nuno Magalhães, foi contido nas palavras e disse rever-se "absolutamente"  e subscrever as declarações de condenação aos protestos a Relvas no ISCTE feitas por Augusto Santos Silva e António Barreto.

Na intervenção final, Montenegro referiu-se a Grândola Vila Morena, canção que nos últimos dias tem servido para interromper intervenções públicas de ministros, como forma de protesto. “Muito se tem dito e cantado nos últimos dias, mas queria dizer que a Vila Morena, a terra da fraternidade, onde o povo mais ordena, é terra de todos, não é propriedade de ninguém”, disse, aplaudido fortemente pela sua bancada.