Merkel aponta antiga RDA como exemplo para países em crise

Chanceler alemã recordou na primeira pessoa a experiência de reestruturação da RDA para dizer aos países do euro de que o esforço social é necessário.

Merkel é a primeira líder alemã no pós-reunificação a ter nascido na RDA
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Merkel é a primeira líder alemã no pós-reunificação a ter nascido na RDA Fredrik Von Erichsen/AFP

Angela Merkel apontou para os sacrifícios da reestruturação económica da antiga República Democrática Alemã, durante a reunificação com a RFA, como a prova de que não existe nenhum outro caminho para recuperar competitividade económica do que o caminho das reformas.

Numa mensagem transmitida na segunda-feira, em Mainz, durante a cerimónia de abertura do ano económico no estado da Renânia-Palatinado, a chanceler alemã recordou que a RDA entrou em “grande ruptura” no início da década de 1990, tal como acontece actualmente com os países em crise do euro.

Angela Merkel é a primeira líder alemã no poder após a queda do Muro de Berlim que nasceu na ex-RDA. No discurso feito na câmara de comércio, perante uma plateia de 5000 pessoas, com empresários e gente ligada aos negócios, Merkel frustrou as expectativas dos alemães que desejem um corte de impostos. "Não vejo que haja qualquer margem de manobra" para descer impostos, disse a chanceler, aludindo à receita fiscal de 2012, que atingiu um valor recorde de 550 mil milhões de euros.

Merkel falou também da situação europeia e, para tal, socorreu-se da experiência na primeira pessoa, invocando as dificuldades sentidas por quem vivia na então RDA, antes e logo a seguir ao início da reunificação alemã: “Nós tivemos de levar a cabo reformas significativas para reestruturar a nossa economia (…) mas era algo necessário para criar uma base sólida para as pequenas e médias empresas nos novos estados”.

A líder da maior economia europeia insistiu neste discurso, mais virado para o plano interno, na ideia da necessidade de haver reformas que garantam a competitividade. O contraponto foram as dificuldades dos países do Sul e o exemplo, uma vez mais, o que se fez na Alemanha, a seguir à reunificação. Quando os estados federados do leste passaram a ter direito a ajudas comunitárias – tendo em conta a maior pobreza e o menor índice de desenvolvimento – os fundos europeus foram aplicados com um sentido: "no fim, tinha de haver empresas comeptitivas".

A par da lição da RDA, Angela Merkel citou ainda como exemplo paraos países do euro os esforços do anterior chanceler, Gerhard Schroeder, do SPD, no programa chamado “Agenda 2010", que incluía cortes nas prestações sociais e um pacote de reformas laborais.

A Agenda 2010 “trouxe-nos à situação em que nos encontrámos hoje. Ela não caiu dos céus”, afirmou Merkel, que derrotou Schroeder nas legislativas de 2005.

Na altura do programa político de Gerard Schroeder, a Alemanha encontrava-se com o desemprego em níveis históricos. Um ponto que Angela Merkel recordou, apontando novamente para a necessidade de reformas estruturais nos países do euro em crise.

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