Reader’s Digest pede falência, outra vez

A braços com uma dívida de 1200 milhões de dólares, a empresa quer reduzir o passivo e concentrar atenções nos EUA, apostando na edição digital.

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Em Dezembro, a revista vendeu mais online do que em banca JUSTIN SULLIVAN/AFP

Aos 91 anos, a Reader’s Digest é apenas mais uma vítima da mudança de paradigma nos media: os leitores trocam o papel pelo online e as receitas tem caído a pique. "Em Dezembro foram vendidas mais edições online do que em banca", disse Robert Guth, director executivo da Reader’s Digest, citado pela Bloomberg.

A revista fundada por DeWitt e Lila Wallace foi comprada em 2007 por um grupo de investidores privados, designado Ripplewood Holdings LLC, que pagou 1600 milhões de dólares (1200 milhões de euros). Os compradores ficaram também com a dívida da empresa, no valor de 800 milhões de dólares (quase 600 milhões de euros).

Em Agosto de 2009, a empresa tinha feito um pedido de protecção contra credores, argumentando com a queda nas receitas de publicidade e com o peso da dívida contraída aquando da aquisição. Nessa altura, chegou a acordo para reduzir a dívida em 75% para os 550 milhões de dólares (411 milhões de euros).

Agora, a sociedade tem cerca de 1100 milhões de dólares em activos e um passivo de 1200 milhões de dólares (quase mil milhões de euros). Com este pedido de falência, a empresa vai trocar cerca de 465 milhões de dólares de dívida em acções, segundo a Bloomberg. O plano de reestruturação estipula que dentro de seis meses a empresa tenha 100 milhões de dólares em dívida.

“Tivemos um processo contínuo para simplificar e racionalizar o nosso negócio internacional através da abertura dos nossos mercados locais a terceiros, a outros editores, outros investidores, e essa tem sido uma grande parte do nosso esforço para dinamizar a empresa e gerar recursos para reduzir a dívida”, afirmou Robert Guth.

A revista é lida por mais de 25 milhões de pessoas, de acordo com a informação disponível no site. A empresa tem 75 publicações no total, incluindo 49 edições da Reader’s Digest, Taste of Home, Family Handyman e Birds & Blooms.

Com este pedido de falência, a RDA Holding Co. espera conseguir uma “redução significativa da dívida” e “redefinir” o negócio, concentrando recursos nas revistas publicadas nos Estados Unidos. Estas “mostraram uma nova vitalidade em resultados nos nossos esforços de transformação, particularmente na área digital”, declarou o director executivo.