António José Seguro considera “inaceitável” insistência do Governo no corte de 4000 milhões

Líder do PS exorta Passos Coelho a falar menos e fazer mais.

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António José Seguro Patrícia de Melo Moreira/AFP

O líder do PS, António José Seguro, considerou neste sábado "inaceitável" que o Governo continue, no momento actual, a pretender avançar com um corte de 4000 milhões de euros nas funções sociais do Estado.

Em declarações aos jornalistas em Madrid, depois de um encontro com o seu homólogo espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba, líder do PSOE, Seguro afirmou que o que os portugueses exigem é que o primeiro-ministro "fale menos e faça mais".

"Eu confio muito no juízo dos portugueses e aquilo que os portugueses exigem do primeiro-ministro é que fale menos e faça mais. O primeiro-ministro chegou a primeiro-ministro prometendo coisas completamente diferentes do que está a fazer neste momento", afirmou.

"O que precisamos é de um Governo que responda aos problemas dos portugueses, que sentem que os seus problemas são cada vez maiores, estão a ser agravados", disse.

O líder do PS questionou o resultado que está a surgir dos "enormes sacrifícios" e da "imensa dor" que as medidas de ajuste estão a causar e que nomeou como sendo de "desemprego, menos economia, mais insolvências, mais falências, menos empresas".

António José Seguro reiterou as afirmações que defendeu no último debate parlamentar, na sexta-feira, insistindo que o PS tem "propostas alternativas" e que defende, há ano e meio, que a consolidação orçamental deve ter como prioridade o crescimento económico e o emprego.

"Pouca gente acreditava. Hoje há um consenso na sociedade portuguesa, desde o senhor Presidente da República aos parceiros sociais. O PS já não esta sozinho. Quem está isolado é o primeiro-ministro", disse.

"E agora ainda se prepara para um corte de 4000 milhões de euros nas funções sociais do Estado. Quer dizer, no momento da maior crise social que o país conheceu desde o 25 de Abril, com elevados níveis de desemprego, quando as pessoas mais precisam de políticas públicas e do Estado social é que se prepara para fazer um corte, por opção dele, de 4000 milhões de euros, na saúde pública, na educação pública e na protecção social? Isto é inaceitável", afirmou.

Socialistas europeus querem resposta mais eficaz para a crise
O líder do PS, por outro lado, disse que os socialistas europeus querem "uma resposta mais eficaz para a crise", com um papel mais activo do BCE, mais tempo para consolidar as contas e melhorias nos prazos e juros das dívidas.

António José Seguro, está em Madrid para participar, com os líderes socialistas espanhol e francês e outros dirigentes da família política socialista, num debate sobre o futuro da Europa.

Antes do arranque dessa conferência, Seguro disse coincidir com Rubalcaba na avaliação de que é necessária "uma mudança na Europa, quer no que diz respeito à resposta à crise, quer quanto a alterações aos tratados, de modo a ter uma Europa que seja capaz de lidar com os problemas concretos das pessoas".

"Esta crise nasceu nos EUA e no sistema financeiro. E a Europa conseguiu, por inabilidade e por erros cometidos pela sua liderança e por governos conservadores, trazê-la para a Europa, transformando-a numa crise económica, numa crise social e da própria UE e das instituições europeias", disse.

Para Seguro os socialistas europeus consideram necessária "uma resposta mais eficaz para a crise", com um papel mais activo do BCE, mais tempo para o cumprimento de uma "estratégia credível de consolidação das contas públicas" e melhorias nos prazos e nos juros das dívidas, colocando a economia e o emprego como "prioridade.

"Nós não podemos pagar a nossa divida se não houver riqueza, se não houver economia. Isso é algo que tem que ser compreendido. E a Europa tem que perceber que vivemos numa união económica e monetária e que tem de responder aos problemas", disse.

"Isto não quer dizer que cada país não tenha que fazer o que deve, as nossas responsabilidades, designadamente em matéria de disciplina orçamental. Mas nenhum país resolve os seus problemas com as elevadas taxas de desemprego. E Portugal atingiu o recorde de desemprego entre os jovens, mais de 900 mil portugueses desempregados, a economia a cair e afundar-se numa espiral recessiva", disse.

Seguro voltou a defender uma ampliação de prazos para o cumprimento das mestas de défice, afirmando que apesar das receitas austeras, o Governo português não cumpriu as metas nem de défice nem de dívida, empurrando o desemprego para níveis recorde.

"Esta receita de austeridade, do custo o que custar não resolve nenhum problema, agrava os problemas e agrava os desequilíbrios sociais", disse.

Seguro atacou também as respostas do líder do Governo ao aumento do desemprego, criticando que Pedro Passos Coelho tenha considerado que o número de 923 mil desempregados está "em linha" com as suas previsões.

"Acha normal que um primeiro-ministro compare desemprego com uma oportunidade. Que um primeiro-ministro diga à geração mais qualificada de portugueses, aos jovens portugueses, que a única solução que têm é a imigração. Por isso é normal que eu pergunte ao primeiro-ministro o que é que ele lá está a fazer", considerou.