Daniel Rodrigues premiado com um World Press Photo

Jovem português está desempregado: "Espero que este prémio me ajude"

Suhaib Hijazi tinha dois anos quando a sua casa foi destruída por mísseis israelitas. Muhammad, o irmão de três anos, e o pai, Fouad, também morreram. A mãe sobreviveu. 20 de Novembro, mais um dia de bombas sobre Gaza. Na fotografia do funeral das três vítimas que valeu ao sueco Paul Hansen o prémio principal da World Press Photo de 2013, anunciado ontem, "está toda a dor, toda a tristeza; o desespero e a perda", disse Mayu Mohanna, um dos membros do júriÉ fotógrafo, está desempregado e foi obrigado a vender o seu material fotográfico para fazer face às despesas. Chama-se Daniel Rodrigues e venceu um primeiro prémio do World Press Photo, na categoria Vida Quotidiana.

A fotografia que lhe garantiu o prémio foi tirada em Março de 2012, na aldeia de Dulombi, na Guiné-Bissau. "As crianças estavam a jogar à bola e fui jogar com elas. Pelo meio, fotografei-as. Gostei do resultado e fiz mais algumas fotografias semelhantes", afirma Daniel Rodrigues, ao site P3 do PÚBLICO.

O fotógrafo esteve um mês na Guiné-Bissau, ao abrigo da missão humanitária Dulombi. A iniciativa partiu do próprio, que contactou os responsáveis da missão. Para além da vertente humanitária da experiência, que considera "muito compensadora, pela possibilidade de ajudar quem precisa", houve outro motivo forte que o levou àquele destino.

"Sou apaixonado por África e tinha o sonho de fotografar lá. Nunca tinha lá ido e esta era uma boa oportunidade", garante. A experiência foi tão positiva que já está no horizonte nova viagem. No dia 7 de Março, regressa à Guiné, "a não ser que tenha boas notícias e arranje trabalho". Desta vez, irá "unicamente para ajudar", uma vez que não dispõe de material fotográfico para registar momentos da missão.

Depois de ter estado na Guiné, em Março de 2012, este grupo humanitário esteve retido 15 dias no Mali, uma vez que o aeroporto de Bamaco tinha sido tomado por militares golpistas. Foi mais uma oportunidade para Daniel Rodrigues tirar algumas fotografias no continente africano.

A dualidade entre o drama do desemprego e o reconhecimento do World Press Photo desperta-lhe um sentimento: revolta. "Há muita gente com valor, em Portugal, que não tem trabalho. Talvez este prémio possa ajudar a que essas pessoas sejam olhadas com outra atenção. Espero que este prémio me ajude", garante.

Daniel Rodrigues tirou o curso de Fotografia no Instituto Português de Fotografia em 2008. De seguida, estagiou no Correio da Manhã, durante três meses, e trabalhou na Global Imagens, até Setembro de 2012. João Nogueira Dias/P3

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