Economia portuguesa acentuou queda no final do ano passado

Queda de 1,8% conduziu, no total do ano, a recessão mais forte do que a prevista pelo Governo.

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Infografia PÚBLICO

A economia portuguesa registou uma queda de 1,8% no último trimestre do ano passado, o que colocou a taxa de crescimento do total de 2012 em -3,2%, um valor mais negativo do que os 3% previstos pelo Governo.

Os últimos três meses de 2012, com a confiança dos consumidores abalada por novas medidas de austeridade e com a economia da zona euro em recessão, foram dos mais negativos a verificar-se em Portugal durante as últimas décadas.

De acordo com a estimativa rápida publicada nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística, o PIB caiu 1,8% face ao trimestre imediatamente anterior. No terceiro trimestre de 2012, a queda tinha sido de 0,9%. É necessário recuar até ao primeiro trimestre de 2009 para encontrar um resultado pior.

Em termos homólogos, a variação negativa do PIB foi de 3,8%, o que representa um acentuar da tendência muito negativa na economia. No terceiro trimestre, a variação em relação ao mesmo período do ano anterior tinha sido de 3,5%. O resultado agora registado é o pior da actual crise económica e representa um ponto de partida muito negativo para o ano de 2013, para o qual o Governo prevê uma queda de apenas 1%.

A estimativa do Governo e da troika para o ano passado, apesar de ter sido feita com 2012 quase no fim, também acabou por falhar. Estava prevista uma queda de 3%, mas a variação do PIB no total do ano acabou por ser de 3,2%.

Na sua estimativa rápida, o INE não apresenta ainda valores para a evolução das componentes do PIB. No entanto, adianta já que o principal problema neste final de ano esteve na quebra das exportações, numa conjuntura global mais difícil.

"O contributo positivo da procura externa líquida diminuiu significativamente no 4.º trimestre, verificando-se uma diminuição menos acentuada das importações de bens e serviços e uma redução das exportações de bens e serviços", afirma o relatório do INE.

Em compensação, "a procura interna apresentou um contributo menos negativo para a variação homóloga do PIB, traduzindo sobretudo a redução menos expressiva do investimento".  

Os últimos dados do INE já levaram a oposição a acusar o Governo de estar a criar uma "espiral recessiva". Carlos Zorrinho, do PS, diz que o executivo está  a conduzir Portugal para "uma catástrofe económica e social", enquanto o Bloco de Esquerda adverte que "este Governo tem de ser parado porque se não está a matar o país". O PSD, por sua vez, contrapõe que houve apenas um "ligeiríssimo desvio" face às previsões do Governo.

Grandes da Europa em recessão
Também nesta quinta-feira, o Eurostat deu a conhecer a evolução da economia europeia no quarto trimestre de 2012. O PIB da zona euro caiu, face ao trimestre anterior, 0,6%, o que significa que os países da moeda única permanecem, pelo terceiro trimestre, em recessão técnica. Em termos homólogos, a queda do PIB foi de 0,9%.

Portugal foi o segundo país da zona euro com pior resultado na variação homóloga do PIB, apenas atrás da Grécia, que regista uma queda de 6%. Na variação em cadeia, Portugal, com a variação negativa de 1,8%, é o país que apresenta um valor mais negativo. No entanto, não são publicados valores para a Grécia nesse indicador.

Os números do Eurostat mostram que todas as grandes potências da zona euro estão agora com as suas economias a contrair. A Alemanha, que até agora tinha conseguido manter variações positivas do PIB, apresentou uma queda no quarto trimestre de 0,6%, um valor mais negativo do que as estimativas iniciais. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, a Alemanha ainda regista um crescimento de 0,4% (no terceiro trimestre era de 0,9%). 

A França, que tinha voltado a crescer no terceiro trimestre, registou agora uma queda do PIB de 0,3%, o mesmo valor da variação em termos homólogos. Itália e Espanha registaram diminuições do PIB de 0,9% e 0,7% em cadeia e de 2,7% e 1,8% em termos homólogos.