Nuno Crato elogia “exemplo” de gestão das universidades

Ministro da Educação e Ciência reconhece que haverá menos dinheiro para o superior e que a solução está no recurso a verbas comunitárias.

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Crato assistiu nesta quarta-feira à apresentação do novo perfil curricular da FCT/UNL Miguel Manso

“Estamos completamente de acordo quando dizem que a maneira de sair da crise é através das universidades”, afirmou Nuno Crato durante a apresentação do novo perfil curricular da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Nova de Lisboa, em Almada.

Nuno Crato frisou que as universidades dão “um exemplo muito importante ao país”, gerindo os recursos de forma severa e melhorando o serviço que prestam. Sem assumir se o montante a cortar no sector será de 900 milhões de euros ou outro, o ministro frisou que o Governo está a trabalhar para que a educação e a ciência “saiam reforçadas, no próximo quadro comunitário de apoio”.

Crato reconheceu que haverá menos dinheiro, mas indicou que tem reuniões agendadas em Bruxelas para discutir o assunto com outros parceiros, estando a primeira prevista para o final da semana.

Ao comentar o novo programa em curso no pólo da Caparica da Universidade Nova, o ministro afirmou tratar-se de um exemplo de optimização dos recursos da faculdade, por forma a proporcionar mais formação aos alunos.

“Há aqui algo novo em relação a algumas práticas, uma preocupação da faculdade com o sucesso dos alunos. Ser bom professor é isto. É estar preocupado com o sucesso dos alunos”, disse.

A faculdade, com oito mil alunos, decidiu reorganizar o calendário escolar para aproveitar melhor os tempos, nomeadamente os destinados a exames e pausas lectivas, conseguindo assim proporcionar mais actividades e formação complementar em todos os cursos.

As aulas de mandarim, por exemplo, registaram uma grande procura por parte dos estudantes, no âmbito de um programa estreado no primeiro semestre, e cujo objectivo é oferecer mais competências aos alunos, além da formação de base.

De acordo com o director da FCT, Fernando Santana, o programa está a dar resultados “muito positivos”, tendo melhorado o aproveitamento em 7%. A faculdade adoptou a avaliação contínua, libertando os alunos para investirem em projectos orientados pelos docentes, direccionados para um conjunto mais diversificado de conhecimentos.

“A chamada avaliação contínua não é mais do que isto, é o acompanhamento dos alunos. É uma oportunidade de os alunos melhorarem”, disse o ministro, exortando os responsáveis pelo programa a continuarem o trabalho, para que os estudantes alcancem sucesso num mercado de trabalho cada vez mais exigente.

O director da faculdade explicou que o novo perfil curricular implicou “mexer muito” na escola, mas sem recorrer a meios adicionais. “Reorganizámos o calendário escolar. O segredo disto é a avaliação contínua. Passamos muito menos tempo a fazer exames”, indicou o responsável, defendendo “um outro relacionamento dos estudantes com o mundo”.

Além das competências associadas aos cursos de ciências e engenharia, como os contactos com empresas e investigação, os alunos dispõem de um conjunto de actividades culturais, artísticas e desportivas.