Fantasporto lança apelo para criação de circuito paralelo de cinema

O Fantasporto arranca no dia 25 de Fevereiro
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O Fantasporto arranca no dia 25 de Fevereiro Fernando Veludo

A organização do Fantasporto lançou esta segunda-feira um apelo para que seja criado um circuito de cinema paralelo em Portugal, de modo a levar aos grandes ecrãs filmes alternativos, sugerindo o estabelecimento de quotas nacionais e europeias.

Na segunda conferência de imprensa sobre a 33.ª edição do Fantasporto, que decorre entre 25 de Fevereiro a 10 de Março no Teatro Municipal Rivoli, o fundador Mário Dorminsky lamentou que não haja um circuito de cinema que permita visionar filmes “diferentes” e que as alternativas surgem através de estruturas, que promovem, por vezes, exibições “ilegais”.

Da parte da organização, quer Mário Dorminsky quer Beatriz Pacheco Pereira declararam que “se há ano em que a verba de receita da bilheteira é importante é este”, uma vez que o apoio dos privados caiu 70%, restando uma repartição de financiamento que advém em 60% do Estado e 40% das empresas, enquanto anos anteriores veriam a proporção ficar-se em 80% para as empresas e 20% para o Estado.

O Fantasporto precisa de “um bocadinho mais” do que os cerca de 50 mil bilhetes vendidos, afirmou Dorminsky, sublinhando várias vezes que o festival deste ano “vai ser um grande evento”.

“É imprescindível (...) que seja criado um circuito paralelo de cinema que proporcione o visionamento de obras europeias, asiáticas que são, muitas vezes, e nos seus países de origem, grandes sucessos de bilheteira”, escreveu o fundador do festival, num texto distribuído durante a conferência de imprensa.

A criação de tal circuito “é facílima”, podendo replicar-se a rede criada em torno dos teatros, disse Dorminsky, lembrando que há salas de cinema encerradas em todo o país.

Para além das críticas à diferença de financiamento do Instituto do Cinema e do Audiovisual para os festivais e para a criação de um filme, o texto divulgado adianta que sem o denominado circuito paralelo se está a “matar” os agentes culturais na área do cinema.

A 33.ª edição do Fantasporto vai atribuir o Prémio por uma Carreira ao realizador português António de Macedo, num novo ano de limitações financeiras, de acordo com o director do evento.

No final de Janeiro, Dorminsky afirmou que “o festival hoje faz-se para um orçamento inferior ao de há cinco anos”, referindo a “retracção das empresas privadas em relação àquilo que é cultura”.

Entre 25 e 28 de Fevereiro dá-se o Pré-Fantas, seguindo-se até dia 10 de Março o festival internacional de cinema, que abre com a sessão dupla de The Red Shoes (1965), da dupla Michael Powell e Emeric Pressburger, a par de Mamã, de Andrès Muschietti e produzido por Guillermo del Toro, que encabeça a bilheteira esta semana nos Estados Unidos.