Torne-se perito

Carne de cavalo vendida como vaca na Irlanda e Reino Unido era romena

Em Portugal, a ASAE garante que não encontrou qualquer produto contendo carne de cavalo.

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Carne de cavalo foi encontrada nas lasanhas congeladas da Findus Chris Helgren/Reuters

Em Portugal, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) não detectou carne de cavalo nos alimentos vendidos como contendo carne de vaca. No entanto, em Inglaterra e na Irlanda a fraude confirma-se e já se sabe que a carne era proveniente da Roménia.

Numa nota divulgada nesta sexta-feira, o Ministério da Economia português afirma que as fiscalizações recentes da ASAE não detectaram carne de cavalo em nenhum alimento vendido em Portugal como sendo carne de vaca. Foram fiscalizados 53 estabelecimentos em todo o país, entre 22 e 24 de Janeiro, e “não foram detectadas irregularidades semelhantes às das notícias em Inglaterra e Irlanda”, disse à Lusa fonte oficial do ministério.

Porém, na Irlanda e no Reino Unido, onde o consumo de carne de cavalo é tabu, as notícias são menos tranquilizadoras. As autoridades confirmaram que a marca de lasanha de vaca Findus continha até 100% de carne de cavalo e apuraram que esta teve como origem a Roménia.

A carne foi vendida pelo grupo francês Spanghero à empresa Comigel, que por sua vez fornece a Findus. Num comunicado divulgado na sua página de Internet, a Spanghero – uma cooperativa sedeada em Castelnaudary, no sul de França –  reconhece que trabalha com um matadouro da Roménia, onde se abatem bovinos e cavalos. Garante, porém, que não baseia a sua actividade na carne de equídeos.

Os serviços antifraude franceses anunciaram na sexta-feira a abertura de uma investigação e o ministro da Agricultura da França, Stéphane Le Foll, considerou que “não é aceitável” o “engano” sobre a composição dos pratos da Findus, prometendo que serão aplicadas “as sanções necessárias”.

O grupo sueco agroalimentar Findus testou 18 das suas lasanhas de carne congelada fornecidas pela Comigel e detectou que 11 delas continham entre 60% a 100% de carne de cavalo. As lasanhas foram produzidas no Luxemburgo, mas a carne foi importada de França, onde foram colocados "rótulos fraudulentos" a designarem que era de vaca, referem as autoridades veterinárias.

Em França, a Findus disse que ia retirar do mercado três produtos, tal como já tinha feito no Reino Unido, e garantiu que vai apresentar queixa contra os fornecedores. Citado pela AFP, o director-geral da empresa disse que foi “enganado”.

Também o presidente da Spanghero, Barthélémy Aguerre, disse à rádio France Info que a empresa vai processar o produtor a quem comprou a carne na Roménia. O responsável disse que o grupo foi "vítima" neste processo: "Consideramos que nos enganaram e iremos denunciá-los."

O director de operações da Agência de Segurança Alimentar britânica (FSA), Andrew Rhodes, considerou que esta situação poderá resultar de uma grande negligência ou de actividade criminal, mas salientou que não há qualquer evidência de que os produtos ponham em risco a saúde pública.

A cadeia de supermercados Aldi foi a última a confirmar às autoridades britânicas que tinha à venda produtos fornecidos pela Comigel, com 30 a 100% de carne de cavalo. Das prateleiras do supermercado na Irlanda foram retiradas, por precaução, as refeições congeladas de lasanha e de esparguete à bolonhesa.

Os primeiros casos foram conhecidos em Janeiro, quando as inspecções feitas pelas autoridades irlandesas a três empresas de processamento de alimentos descobriram ADN de cavalo e de porco, em vez de vaca. Depois disso, a Tesco, a maior cadeia de supermercados britânica, retirou das prateleiras duas linhas de hambúrgueres que vendia com a sua marca.

Agora, o secretário de Estado do Ambiente britânico, Owen Paterson, disse que acredita que os dois casos estão ligados. “Acreditamos que os dois casos, dos hambúrgueres congelados da Tesco e da lasanha da Findus, estão ligados aos fornecedores na Irlanda e na França, respectivamente”, afirmou, citado pelo jornal britânico The Guardian. E acrescentou: “Estamos a trabalhar em conjunto com a FSA e as autoridades desses países, assim como com a Europol, para chegar à raiz do problema.”

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