Para António Borges o corte de 4 mil milhões é uma "questão acessória"

Consultor do Governo defende que é preciso fazer reformas de fundo.

António Borges diz-se surpreendido com a qualidade com que Passos Coelho tem sabido governar
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António Borges defende a necessidade de haver reformas de fundo Miguel Manso

O consultor do Governo António Borges considera o corte de quatro mil milhões nas funções do Estado uma “questão acessória” e diz, em entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo, este sábado. Borges defende que é preciso fazer reformas de fundo.

Segundo o antigo director do departamento europeu do Fundo Monetário Internacional, o corte de quatro mil milhões é “um corte relativamente marginal” quando comparado com as reduções que têm vindo a ser feitas nos últimos dois anos.

“A questão de fundo é saber se vamos fazer reformas porque os grandes cortes que se fizeram até agora foram relativamente horizontais, sem muita selectividade. O que é preciso é efectivamente reformar o sistema”, disse Borges, para quem há muitas opções e se devia ir procurar à Europa o que há de melhor para adaptar ao caso nacional.

A edição do semanário Expresso deste sábado avança que os ministros querem três anos para cortar os quatro mil milhões previstos e que o Conselho de Ministros deste sábado tem na agenda a previsão que a reforma do Estado seja acelerada pois o Ministério das Finanças mantém a pressão para cumprir esse corte até 2014.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, negou, na sexta-feira, que a reunião seja especial e dedicada aos cortes de quatro mil milhões de euros, afirmando tratar-se de uma reunião “normal”, onde o assunto será naturalmente debatido, como já o foi e continuará a ser.

“Eu sei que houve órgãos de comunicação social que anunciaram em Lisboa que haveria um Conselho de Ministros especial para tratar dessa matéria, mas quero aproveitar para dizer que o Conselho de Ministros de amanhã [sábado] é um Conselho de Ministros ordinário, que está convocado para a mesma hora dos conselhos de toda a semana”, afirmou Passos Coelho na sexta-feira, no final da cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia.

Passos Coelho admitiu que “todas essas matérias”, incluindo as poupanças de quatro mil milhões de euros, “estão em discussão dentro do Governo”.

“Não há um momento especial para produzir essa discussão. Há muito tempo que vimos preparando essa matéria. Ela não deixará de estar na agenda do próximo Conselho de Ministros, como já esteve na do anterior, como estará no da próxima semana”, reforçou.

Passos Coelho lembrou que “o Governo comprometeu-se com a troika a encontrar poupanças permanentes de cerca de quatro mil milhões de euros que possam alcançar até 2014”, podendo uma parte dessas poupanças ser mesmo “identificada para vigorar já no ano de 2013” e afirmou que o Governo mantém “esse horizonte e esse objetivo”.