Michael Symington, o oficial que chorou pelo Douro

O patriarca da família morreu no passado dia 25 de Janeiro, aos 87 anos

As últimas gerações dos Symington, família de origem escocesa, já nasceram em Portugal, mas nunca abdicaram do passaporte inglês. Completaram a formação escolar em Inglaterra e alguns dos homens até serviram nas forças armadas britânicas. No entanto, a grande paixão de todos é Portugal e, acima de tudo, o Douro, onde passam boa parte do ano. Não admira, por isso, que o funeral de Michael Symington, falecido no passado dia 25 aos 87 anos, se tenha convertido numa emocionante declaração de amor à região duriense. Quem assistiu, assegura que foi "arrepiante".

Michael era o patriarca da família que, sob a presidência do seu filho mais velho, Paul Symington, lidera hoje o sector do Vinho do Porto. Nasceu no Porto, cidade de onde os pais também eram naturais, no dia 13 de Maio de 1925. Como era, e continua a ser, tradição na família, frequentou o Colégio Inglês e terminou a formação escolar em Inglaterra. Em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, alistou-se no Exército britânico, na famosa "Rifle Brigade", tendo, já como oficial, servido no Egipto e na Grécia.

No final da guerra voltou a Portugal. Na viagem de regresso, o avião em que seguia passou por cima do Douro e, ao avistar o Pinhão, Michael começou a chorar. Paul Symington costuma recordar este episódio do pai para demonstrar a afeição do progenitor e de toda a família ao Douro, uma história de amor que teve início em 1882, quando o avô de Michael, Andrew James Symington, com apenas 19 anos, trocou Glasgow, na Escócia, pelo Porto, para trabalhar na Graham"s. Em 1891, Andrew casou com Beatrice de Leitão de Carvalhosa Atkinson, filha de John Atkinson, um produtor de Porto na Offley Forrester e sobrinha de Edward Atkinson, produtor da firma Smith Woodhouse; e alguns anos depois tornou-se sócio na Warre &Co., a mais antiga casa de Vinho do Porto britânica, fundada em 1670. Em 1912, os Symington entraram também no capital da Dow"s, detida pela família Warre.

Michael Symington entrou para a empresa da família em 1947, numa altura em que o sector do vinho do Porto estava quase moribundo. A guerra fez recuar as vendas para níveis ridículos e, como recorda a família, "o vinho do Porto não era visto como uma bebida da moda quando a paz regressou". Como sempre acontece nos momentos mais difíceis, muitas das históricas casas de Vinho do Porto acabaram vendidas. Mas os Symington conseguiram resistir. Resistiram ao pós-Segunda Guerra Mundial e, mais tarde, à mudança de regime, em 1974.

Hoje, os Symington são donos da Graham"s (adquirida em 1970, já durante a presidência de Michael Symington), da Warre"s, da Dow"s e, desde há alguns anos, da Cockburn"s, a última grande compra feita pela família. São os maiores produtores de vinho do Porto (possuem 27 quintas), lideram nas categorias premium (Vintage, LBV, Reserva, etc) e detêm já uma importante posição no segmento dos vinhos DOC Douro, possuindo ainda uma pequena participação na Madeira Wine Company.

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