Jafumega regressam em Maio para tocar nos Coliseus

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A banda no seu período áureo na década de 1980 DR

A banda de Ribeira terminara em 1985, depois de editar três álbuns. 24 de Maio tocam no Porto, uma semana depois em Lisboa

O álbum de estreia tinha título em português, Estamos aí, mas era cantado em inglês. A banda viria a ser recordada como um dos grandes nomes do rock português dos anos 1980, mas era difícil alinhá-la. Não estava declaradamente com o famoso boom, não participava activamente na renovação arty dos GNR ou Heróis do Mar. Os Jafumega, é deles que falamos, eram banda pop(ular) cantando Romaria, eram rock"n"roll falando de ditaduras sul americanas (Latin"América), bairristas unindo a ribeira portuense à Kingston do reggae ou à Londres dos Police ("a ponte é uma passagem... p"rá outra margem"). Desapareceram em 1985. 30 anos depois do último álbum, Recados, estão de volta. Luís Portugal (voz), José Nogueira (saxofone, teclas), Álvaro Marques (bateria) e os irmãos Barreiros, Mário (guitarra), Eugénio (teclas e voz) e Pedro (baixo). Dia 24 de Maio no Coliseu do Porto. Dia 31 no de Lisboa.

Sentirá certamente nostalgia quem os acompanhou no auge do início da década de 1980, quando viram o homónimo segundo álbum elogiado pela crítica e acarinhado pelo público e em que passaram pelo histórico Festival Vilar de Mouros de 1982 - tocaram ao lado da Orquestra de Mikis Theodorakis, de Johnny Copeland, dos Roxigénio e de uns novatos chamados U2.

Nestes regressos, e tivemos muitos deles nos últimos tempos (Táxi, Sétima Legião, Resistência), a nostalgia é um factor determinante. Porém, Luís Portugal, que não esconde que "houve uns tremeliques, um nó cego [referência à emblemática canção]" quando a banda se ouviu a ensaiar novamente - "foi uma altura de mudanças, muito importante na nossa vida" -, prefere destacar algo mais. "Queremos recuperar a legião de fãs e mostrar a outras faixas etárias a nossa vitalidade". Querem mostrar que continuam, como antes, "independentes". Porque os Jafumega nunca se importaram muito com "o que os outros andavam a fazer": "Se calhar continuamos, no bom sentido, metidos com a cabeça na areia". Ou seja, concentrados no que os seus talentosos instrumentistas criam quando em conjunto. Para o vocalista, há outro pormenor importante neste regresso anteriormente pensado, uma vez abortado à última hora, por fim concretizado. "A maioria dos textos [alguns da autoria de Carlos Tê] continuam actuais. As questões que colocávamos então são problemas que continuam". Razão de força, diz, para a pertinência do regresso da banda que, em 1985, pôs fim a um "percurso curto mas exigente" para que os seus membros experimentassem "outras áreas musicais e culturais".

Dos concertos, onde, além dos clássicos, é possível que ouçamos inéditos guardados para um álbum que nunca chegou a ser editado, resultará a edição de um DVD, registo vídeo que a banda ambicionava mas que a tecnologia não permitiu no passado.