Crítica

Barbara

Barbara é o momento em que o alemão Christian Petzold entra de pleno direito no panteão dos grandes cineastas, após um percurso em “crescendo” que apenas acompanhámos a intervalos irregulares: um filme onde a depuração clínica e seca do seu cinema, descarnado até ao osso, é essencial para libertar as múltiplas leituras da sua história. Uma mulher distante e reservada, médica da grande cidade destacada para as províncias, toma consciência da solidão em que vive e pergunta-se do que é que está realmente à procura. Mas estamos na Alemanha de Leste dos anos 1980, e essa distância, essa reserva, são técnicas de sobrevivência num país onde a liberdade é restrita - e Petzold coloca Barbara (uma extraordinária Nina Hoss) a perguntar-se se a liberdade é uma mera questão de fronteiras físicas.


Barbara é uma lição sobre a grandeza de um filme - que não se mede pelas aparências nem pelos meios, antes pelo muito que se pode fazer com o estritamente necessário.