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Banda desenhada "Morro da favela" editada em Portugal

André Diniz, autor brasileiro premiado, publica agora em Portugal a banda desenhada "Morro da favela"

O premiado autor brasileiro André Diniz publica este mês, em Portugal, a banda desenhada "Morro da favela", livro de memórias sobre o fotógrafo Maurício Hora, que é também um retrato da primeira favela criada no Brasil, o Morro da Providência.

Na novela gráfica, publicada originalmente em 2011, André Diniz recupera as memórias do "fotógrafo favelado" Maurício Hora, que viveu naquele bairro no Rio de Janeiro, mas o autor quis sobretudo "contar uma boa história", sempre em torno do ser humano, disse à agência Lusa.

André Diniz, 37 anos, esteve em Portugal a inaugurar uma exposição retrospectiva na Bedeteca de Beja, patente até ao final de Fevereiro, e explicou à Lusa que a história do fotógrafo brasileiro foi um pretexto para abordar a vida numa favela, que está "muito perto e muito longe" dos brasileiros.

A favela do Morro da Providência

Nas encostas do Morro da Providência nasceu, há mais de cem anos, uma favela com milhares de habitações encaixadas umas nas outras e é o quotidiano dessa comunidade, marcado pela droga e pela violência policial, que André Diniz regista em pranchas e vinhetas.

"O meu tema é sempre o ser humano, as suas subtilezas, as contradições; eu gosto quando não é previsível. O Maurício me mostrou uma visão da favela, fala com orgulho como se fosse de fora. Os brasileiros conhecem a favela pelas notícias e ele me mostrou uma aula de vida", disse o autor.

"Morro da favela" valeu a André Diniz vários prémios, foi traduzido para inglês e francês e agora, na edição portuguesa, com selo da Polvo, apresenta uma capa diferente, texto revisto, fotografias de Maurício Hora e desenhos de vários autores brasileiros, nomeadamente Pablo Mayer, Magno Costa e Will.

Com traço carregado e anguloso, a preto e branco, muito inspirado na xilogravura e na obra do brasileiro Flavio Colin, "Morro da Favela" é considerado um dos melhores exemplos do trabalho de André Diniz enquanto argumentista e desenhador.

Diniz começou por fazer sobretudo argumento para banda desenhada, para, por exemplo, "Fawcett", com desenho de Flavio Colin, e "A classe média agradece", com desenho de Marco, mas passou a assinar texto e imagem quando encontrou uma linguagem só sua - explicou à Lusa - dando como exemplo "Chico Rei" e "O negrinho do pastoreio".

Actualmente trabalha numa adaptação para banda desenhada, sem texto, do romance "O Idiota", de Dostoievski.