França começa a retirar tropas do Mali em Março

Chefe da diplomacia francesa diz que terão de ser os africanos a assegurar a integridade territorial e a soberania do Mali.

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Uma criança em Douentza, uma das cidades tomadas pelos militares franceses Pascal Guyot/AFP

O número de soldados franceses no Mali deverá começar a diminuir “a partir de Março, se tudo correr como previsto”, anunciou o chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius. No terreno, terça-feira ficou marcada por combates nos arredores de Gao, tomada na semana passada aos islamistas.

A redução de efectivos não quer dizer que o contingente francês sairá do Mali a curto prazo: “Continuaremos a agir no Norte, onde continua a haver refúgios de terroristas”, disse Fabius numa entrevista ao jornal Metro.

 MaaMa;MaMas a França não está vocacionada para ficar de forma duradoura no Mali e é por isso que vamos, progressivamente, passar o testemunho à Misma [a missão militar africana]”, acrescentou o chefe da diplomacia.

Esta força africana vai ter 6000 soldados, estando já 2000 no Mali. E um contingente de dois mil soldados do Chade, especialistas em combate no deserto, já está quase todo no terreno.

“Foi concluída uma primeira fase, muito eficaz, de bloquear os grupos terroristas e reconquistar as cidades” do Norte, enquadrou Fabius, alertando para a necessidade de ficar atento a “acções individuais” do “grupos narco-terroristas”.

Combates em Gao

Prova de que o trabalho não está concluído, as tropas francesas e do Mali envolveram-se na terça-feira em confrontos directos com islamistas nos arredores da cidade de Gao.

Patrulhas franco-malianas “encontraram grupos jihadistas residuais e houve combates” na região de Gao, revelou o ministro da Defesa francês, Jean-Yves Le Drian, à rádio Europe 1. Os islamistas “usaram lança-rockets. Há uma guerra a sério. Quando tomámos Gao, houve combates”, sublinhou o governante.

Pela primeira vez, o Governo francês apresentou um balanço dos ataques aéreos e dos combates frontais com islamistas desde o início da operação, a 11 de Janeiro. “Neste momento, temos 4000 militares franceses no Mali, nunca iremos além disto. No terreno, há mais 4000 militares africanos, para os quais se poderá fazer rapidamente a passagem progressiva da presença militar francesa”, explicou Le Drian .

Em três semanas, foram também mortos “várias centenas” de combatentes islâmicos, tanto devido aos ataques aéreos como em combates directos, em Konna (centro do país) ou Gao (Norte), disse o ministro da Defesa, Jean-Yves le Drian.