Administradores do BES "de consciência tranquila"

"Tudo o que fiz foi de uma correcção absoluta", diz Ricardo Salgado.

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Ricardo Salgado diz-se de consciência tranquila José Manuel Ribeiro/Reuters

Os principais dirigentes do BES disseram nesta terça-feira estar de consciência tranquila nos processos em que estão envolvidos e o presidente do banco, Ricardo Salgado, garantiu mesmo que tudo o que fez em termos fiscais foi “de uma correcção absoluta”.

Questionado na conferência de imprensa de apresentação dos resultados anuais do banco sobre o impacto na instituição do caso Monte Branco (relacionado com crimes de fraude fiscal e irregularidades), Ricardo Salgado garantiu não estar preocupado: "As notícias começaram em Maio e veja o sucesso estrondoso do BES ao longo do ano".

O banqueiro, questionado várias vezes sobre as notícias que dão conta de irregularidades da sua parte, disse não querer comentar essas matérias, uma vez que, garantiu, já prestou todas as declarações "a quem de direito".

Sobre as notícias que dão conta de que fez três rectificações à sua declaração de IRS (imposto sobre o rendimento de pessoas singulares) de 2011, devido a falhas na declaração de rendimentos, Salgado garantiu que cumpriu sempre com o fisco.

"Nunca me esqueci de cumprir as minhas obrigações fiscais e pode ter a certeza de que tudo o que fiz foi de uma correcção absoluta", afirmou ainda o presidente do BES.

Sobre uma eventual saída da presidência do banco, Salgado sublinhou que o seu lugar está "sempre à disposição dos accionistas". Já José Manuel Espírito Santo, que integra o conselho superior do BES, afirmou que a sucessão no banco na sequência destes casos "nunca foi falada" naquele órgão.

O responsável foi ainda questionado sobre o comunicado de hoje do Banco de Portugal, em que a instituição referiu que a sua idoneidade não está em causa. "Agradeço imenso o comunicado do Banco de Portugal, mas já transmiti em entrevistas que estava tranquilo. Tenho a consciência completamente tranquila", disse Salgado.

Também hoje o presidente do BES Investimento, José Maria Ricciardi, e o administrador financeiro do BES, Amílcar Morais Pires, garantiram estar tranquilos quanto às situações que os envolvem e que têm que ver com abuso de posição dominante na negociação de acções da EDP, em 2008.

"Estou tranquilo e de consciência tranquila e não me pronunciarei enquanto houver segredo de justiça", disse Amílcar Morais Pires.

Uma posição partilhada por Ricciardi, que afirmou estar "completamente tranquilo sobre esse assunto".

No ano passado, o BES registou um resultado líquido de 96,1 milhões de euros, o que compara com o prejuízo de 108,8 milhões de euros no ano anterior.