Parlamento francês aprova artigo que prevê legalização de casamento gay

Deputados de esquerda levantaram-se e aplaudiram demoradamente a aprovação. Maratona parlamentar vai continuar nos próximos dias.

Foto
Manifestação recente a favor do projecto do Governo FRED TANNEAUA/FP

O Parlamento francês aprovou neste sábado, por 249 votos contra 97, o primeiro e mais importante artigo de um projecto de lei que prevê a legalização do casamento homossexual.

O artigo aprovado, artigo 1 do diploma, diz que “o casamento é contraído por duas pessoas de sexo diferente ou do mesmo sexo”. A maior parte dos deputados do centro e da direita votaram contra.

Logo após a votação, os deputados de esquerda levantaram-se e, segundo o diário Le Monde, aplaudiram demoradamente a aprovação, ao ritmo de "Égalité! Égalité!" ("Igualdade! Igualdade!").

“Estamos felizes e orgulhosos desta primeira etapa”, disse, citada pela AFP, a ministra da Justiça, Christiane Taubira, que defendeu no Parlamento o texto do Governo.

Promessa de campanha do Presidente François Hollande,  o casamento e a adopção por homossexuais estão a ser discutidos pelos deputados desde terça-feira, num ambiente apaixonado. Os debates podem prolongar-se por mais uma semana e a votação final do diploma na Assembleia Nacional está prevista para dia 12.

Cerca de 90 manifestações contra o casamento e a adopção gay estão previstas neste sábado em diferentes cidades francesas.

Os trabalhos da Assembleia Nacional, que excepcionalmente entraram pelo fim-de-semana, vão continuar durante o resto do dia de sábado e no domingo. A estratégia da oposição tem passado por interpelações e propostas de alteração que têm como efeito o prolongamento dos debates. Todas as sugestões de alteração ao projecto têm sido rejeitadas pela maioria de esquerda.

Segundo uma sondagem divulgada há uma semana pelo instituto Ifop, os franceses são maioritariamente favoráveis ao casamento homossexual (63%), mas as opiniões dividem-se mais no que diz respeito à adopção por pessoas do mesmo sexo (49% apoiam, 51% estão contra).
 
 
 

Sugerir correcção