PSD e CDS celebram hoje coligação em Lisboa com Seara como estrela

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Fernando Seara estará hoje na assinatura do acordo PSD /CDS, mas o seu nome não foi homologado PAULO PIMENTA

Acordo de coligação autárquico é assinado hoje, mas no CDS há quem continue a criticar o apoio do partido a candidatos que já cumpriram três mandatos, como é o caso do autarca de Sintra

Fernando Seara estará hoje na assinatura do acordo de coligação autárquica do PSD e do CDS para Lisboa. Com este gesto, o actual presidente da Câmara de Sintra dá um sinal público de que será o candidato de sociais-democratas e centristas na capital. Apesar de ainda não ter sido apresentado formalmente pelos partidos nem homologado pelas respectivas comissões políticas, é Seara que vai defrontar o socialista António Costa.

Nos últimos dias, os dois partidos estiveram a ultimar os detalhes do acordo, depois de as estruturas locais terem aprovado a aliança e a candidatura de Fernando Seara. Ao que o PÚBLICO apurou, o acordo é semelhante ao de 2009 em termos de lugares na lista. O CDS terá direito a indicar o quarto e o oitavo lugar da lista candidata ao executivo municipal. Para o quarto lugar é apontado o nome de João Gonçalves Pereira, actual deputado da Assembleia da República. Contactado pelo PÚBLICO, João Gonçalves Pereira não quis confirmar, argumentando que "no tempo próprio o CDS indicará os nomes".

O apoio do CDS à candidatura de Seara irá obrigar o partido liderado por Portas a fazer um ajustamento na posição sobre a limitação de mandatos, já que vários dirigentes entendem que os autarcas que já cumpriram três mandatos não se podem candidatar a outro município.

Um dos críticos da nova interpretação da lei é o ex-coordenador autárquico Hélder Amaral, que defende que o partido deve explicações sobre a evolução de posição. "Os autarcas vão candidatar-se ao município vizinho, quando muitas vezes têm interesses conflituosos com esse município ou pelo menos não foram cooperantes durante os mandatos anteriores", afirma o deputado. "Isto não é bom para o poder local", diz, argumentando que o problema "não é jurídico, é político, moral e ético". E lembra que o CDS defendeu que os autarcas condenados em primeira instância não deveriam ser candidatos a cargos políticos. "O partido não deve perder essa marca", sublinhou, admitindo que enquanto presidente da distrital do CDS de Viseu não apoiará nenhum candidato que já tenha cumprido os três mandatos.

Lisboa é o terceiro acordo de coligação no distrito, depois de já ter sido fechado Sintra (candidato é Pedro Pinto) e Cascais (Carlos Carreiras).

Parada debaixo de fogo

Já o candidato do PS à Câmara de Matosinhos, António Parada, está debaixo de fogo no partido por causa das declarações que proferiu sobre a escolaridade dos jovens e que desencadearam uma tempestade de comentários nas redes sociais. "Eu acho que os jovens devem ser apoiados pelo Estado, aqueles que têm aproveitamento, os outros que não têm aos 14 anos é mandá-los trabalhar", afirmou Parada. A polémica rebenta a poucos dias da apresentação formal da sua candidatura, marcada para o próximo dia 9 e que decorrerá, segundo fontes socialistas, precisamente no local onde nasceu.

O ex-ministro Augusto Santos Silva reagiu com grande indignação às declarações de Parada, declarando que "não faz sentido nenhum que um candidato do PS assuma posições dessas" e diz que "alguma coisa tem de ser corrigida em Matosinhos". "O presidente da comissão política do PS de Matosinhos não cumpre os requisitos que um candidato do PS deve ter em relação a uma câmara municipal", revelou.

Em declarações ao PÚBLICO, Santos Silva não poupa nas palavras, considerando que as "declarações de António Parada não são uma excepção, são a regra" e que elas apenas "ilustram o que se passa em Matosinhos relativamente às eleições autárquicas". Diz que "é um erro" pensar-se que pelo facto de Matosinhos ser um concelho sociologicamente socialista que pode ser proposta qualquer pessoa desde que tenha o emblema do PS. "As pessoas hoje já não pensam assim", diz Augusto Santos Silva.

Elogiando Guilherme Pinto, o ex-ministro e ex-dirigente nacional do PS afirma mesmo que o actual presidente da Câmara de Matosinhos "é um belíssimo candidato" e com alguma ironia sublinha mesmo que "não conhece nenhum documento que evidencie um saldo negativo ao longo dos oito anos de gestão que Guilherme Pinto leva de mandato".

Contra aqueles que se julgam donos de coutadas só porque "passaram a dominar a concelhia", Santos Silva sustenta ainda que as candidaturas autárquicas em Matosinhos, ou a qualquer outra localidade "não são um exclusivo das concelhias". E remata com um apelo aos órgãos do partido: "Alguma coisa tem de ser conseguida em Matosinhos, porque hoje as pessoas já não comem tudo".