"Pouca atractividade" do cinema extingue exibição no distrito de Castelo Branco

Fecham mais quatro salas da Socorama-Castello Lopes, desta feita em centro comercial gerido pela Cushman & Wakefield, que não voltará a apostar no cinema.

Foto
As salas de Castelo Branco vão desaparecer Carla Carvalho Tomás

Além do distrito de Viana do Castelo e do arquipélago dos Açores, que são algumas das regiões que ficam sem exibição cinematográfica privada comercial na sequência do encerramento dessas 62 salas em shoppings da Sonae Sierra [parte do grupo Sonae, proprietário do PÚBLICO], Castelo Branco ficará agora sem salas desta tipologia na sequência da cessação do contrato com a Socorama por parte da administração do espaço gerido pela Cushman & Wakefield.

A administração do centro indica em comunicado, citado pela Lusa, que “os fracos resultados” das salas e a sua “pouca atractividade, traduzidos no facto de apenas 1,5 % de visitantes do centro comercial frequentarem os cinemas”, motivaram o encerramento. E vai procurar “uma actividade alternativa para o espaço”, tendo já iniciado “conversações com alguns retalhistas”.

João Paulo Abreu, administrador da Socorama, explica ao PÚBLICO que o contrato entre as partes, assinado em Fevereiro de 2008, incluía “uma cláusula de cessação accionável por ambos os contratantes” quando se verificassem resultados abaixo do limite [da venda] de 80 mil bilhetes por ano”, algo que aconteceu em 2011 e 2012. Notificado há cerca de duas semanas do facto, João Paulo Abreu considera que este caso tem contornos distintos dos conhecidos terça-feira quanto ao encerramento de 49 ecrãs em Viana do Castelo, Ponta Delgada, Guia, Leiria, São João da Madeira, Covilhã, Loures, Funchal e Seixal, por impossibilidade de acordo com a Sonae Sierra, bem como do fecho das seis salas do Centro Comercial Continente de Portimão – ecrãs fechados a 3 de Janeiro porque “os contratos [de exploração] acabaram”.   

Tal como no caso de Viana do Castelo ou Açores, no distrito de Castelo Branco a exibição cinematográfica fica agora – salvo ocupação do espaço do Serra Shopping por outro exibidor –, resumida à actividade de cineclubes ou cinemas municipais de exibição pontual ou regular, visto que os gestores do Fórum Castelo Branco já não procuram preencher o espaço com cinemas, onde contam ter um retalhista em actividade no “último trimestre” de 2013.