Manifestantes exigem "pão, liberdade e justiça social" no aniversário da revolução egípcia

Oposição secular e liberal convocou comício para a Praça Tahrir, em mais um protesto contra o Governo de Mohamed Morsi.

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A oposição liberal acusa o Presidente de ter traído a revolução Mohamed Abed/AFP

Centenas de manifestantes voltaram a assentar arraial na Praça Tahrir do Cairo, para assinalar para assinalar o segundo aniversário da revolução egípcia.

Durante a noite, a polícia usou gás lacrimogéneo para dispersar a concentração, mas os confrontos não impediram os opositores do novo regime de regressar ao local nesta manhã.

Uma série de acções foi organizada para marcar a data da revolução popular que culminou com a deposição de Hosni Mubarak, e exigir reformas ao Governo chefiado pelo Presidente islamista Mohammed Morsi, fortemente contestado.

Numa curta declaração, Morsi recomendou que a população festejasse o fim do antigo regime “de uma forma pacífica e civilizada” e que “salvaguarde as instituições e a segurança” do país.

A oposição liberal, que acusa o Presidente de ter traído a revolução, convocou um grande comício para a Praça Tahrir, utilizando as palavras de ordem “Pão, liberdade e Justiça Social” repetidas durante os protestos de Janeiro de 2011.

O antigo presidente da Agência Internacional de Energia Atómica, Mohamed ElBaradei, um dos líderes da oposição secular, apelou à participação de todos os egípcios descontentes com os progressos no país na manifestação de hoje. “Peço que encham cada praça do Egipto e mostrem que a revolução precisa de ser completada”, escreveu na sua conta de Twitter.

“Estamos a protestar contra o facto de, dois anos depois da revolução, ainda não termos o pão, a liberdade e justiça social por que lutamos. Nenhum dos nossos sonhos se tornou realidade”, disse à BBC Hanna Abu el-Ghar, uma das manifestantes.

Pelo seu lado, a Irmandade Muçulmana que sustenta politicamente o Presidente Mohammed Morsi, decidiu celebrar a revolução de 2011 com a iniciativa de carácter social “Juntos vamos construir o Egipto”.

A tensão subiu durante a noite, com os manifestantes a reagir à tentativa das autoridades de bloquear o acesso à praça Tahrir, mais uma vez ocupada pelas tendas dos manifestantes. Os confrontos com a polícia provocaram pelo menos oito feridos.
 

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