PSD aprova Fernando Seara para Lisboa e Porto quer coligação com CDS

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O apoio do CDS a Fernando Seara em Lisboa serve para o PSD-Porto exigir igual tratamento a Menezes Enric Vives-Rubio

O nome do presidente da Câmara de Sintra vai ser votado sexta-feira como candidato a Lisboa. No Porto, o PSD acena com um novo entendimento com o CDS.

O nome de Fernando Seara será escolhido e votado amanhã como candidato do PSD à Câmara de Lisboa pela distrital do partido. O actual presidente da Câmara de Sintra nunca mostrou grande vontade em avançar e só a intervenção pessoal do presidente do partido, Pedro Passos Coelho, terá sido determinante para o convencer a ir a votos contra António Costa.

Em Lisboa, o CDS prepara-se para apoiar a candidatura de Seara, colocando de lado as reservas contra as candidaturas autárquicas de presidentes que ultrapassaram o limite de mandato definido por lei. Mas, no Porto, o CDS afasta qualquer coligação com o parceiro de Governo. Todavia, o presidente da distrital do PSD/Porto, Virgílio Macedo, não dá como perdida uma reedição de um entendimento político com o partido de Paulo Portas. "A distrital do PSD não dá como adquirido que não haja uma coligação no Porto, até porque até agora ainda não houve uma decisão formal e final por parte do CDS", declarou.

De resto, o deputado e líder da distrital considera "de todo o interesse para a própria coligação governamental que exista uma candidatura conjunta dos dois partidos na segunda cidade do país e primeira grande câmara, há quase doze anos, liderada pelo PSD e pelo CDS". "Não faz sentido não haver no novo ciclo político um novo entendimento", remata. Independentemente deste argumento, há no PSD quem tema pelo endurecimento do discurso do candidato Luís Filipe Menezes durante a campanha eleitoral e, segundo fontes do partido, Paulo Portas, ministro dos Negócios Estrangeiros e presidente do CDS, não deverá estar a salvo.

No caso de Rui Moreira se assumir como candidato ao Porto, disputando o mesmo espaço político que Menezes, é muito provável que o CDS venha a apoiá-lo, apesar de o presidente da Associação Comercial do Porto se apresentar como candidato independente. Ao que foi possível apurar, Pedro Passos Coelho terá já sido sensibilizado para a necessidade de os dois partidos chegarem a um consenso, mas, à partida, o CDS não parece disposto a dar o seu apoio a uma candidatura que, segundo o partido, "representa um projecto completamente diferente daquele que foi caucionado entre as duas forças políticas" em 2001.

Já em Lisboa, Miguel Luz, líder da distrital laranja, espera encerrar esta semana o processo da candidatura a Lisboa. E Fernando Seara já tem um apoio de peso. O ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, disse, na Universidade Política de Lisboa do PSD, que nas próximas eleições autárquicas vai votar em Fernando Seara, deixando um aviso ao actual presidente, António Costa, de que as eleições não serão "favas contadas". "Habituei-me a votar, ao longo da minha vida, em Tomar. Nas próximas eleições, vou votar em Lisboa e vou votar no doutor Seara", afirmou na altura Miguel Relvas, revelando que estaria "disponível para fazer campanha por ele de manhã à noite".

Mafra em aberto

Para além de Lisboa, Miguel Luz revela que há ainda três concelhos onde as candidaturas autárquicas estão em aberto: Amadora, Loures e Mafra. O presidente da distrital social-democrata quer ter o processo autárquico fechado até ao final deste mês, mas nega que haja candidaturas difíceis, embora assuma que a escolha do candidato a Mafra está ainda em aberto e que vai depender de uma reunião conjunta, mas que ainda não está agendada, entre a distrital e a concelhia. O nome de José Bizarro, proposto pela concelhia para suceder a Ministro dos Santos, que há três mandatos seguidos preside à autarquia de Mafra, foi chumbado pela distrital.

Em declarações ontem ao PÚBLICO, Miguel Luz afirmou que "Mafra tem muita gente de qualidade para assumir uma candidatura. Pode ser Gil Ricardo Sardinha, Joaquim Sardinha, ex-presidente da Assembleia Municipal de Mafra, entre outras pessoas". "Quero reunir com a concelhia para chegar a um acordo", revelou. O deputado Hélder Sousa e Silva é um dos nomes que têm sido falados para assumir uma candidatura ao concelho, mas a concelhia rejeitou o seu nome.

Mais a norte, em Penafiel, há um grande burburinho por causa da candidatura à câmara local. A concelhia escolheu o actual vice-presidente, Antonino Sousa, um ex-militante do CDS, um nome que desagrada a alguns sectores do PSD, que estão a tentar encontrar uma solução alternativa. O deputado Mário Magalhães tem sido incentivado para encabeçar uma candidatura independente, sustentada por uma associação cívica, ainda em fase de constituição, caso a decisão da concelhia se mantenha irreversível. Mas ontem, ao PÚBLICO, o presidente da distrital disse que a candidatura autárquica em Penafiel "está fechada". "Antonino Sousa vai ser o candidato à câmara", afirmou Virgílio Macedo, convicto que Manuel Magalhães não irá a votos, protagonizando uma candidatura independente, afastando, assim, um cenário de ruptura com o partido. Em ruptura com a escolha da concelhia para as autárquicas está António Guedes, presidente da Junta de Freguesia de Eja, que se demitiu de membro da concelhia. Numa carta que enviou aos conterrâneos de Eja, o autarca informa que será candidato a novo mandato "tendo por base uma lista independente de qualquer partido ou coligação".