Qual é o património cultural chinês que se esconde em Portugal?

Colóquio em Lisboa vai lançar inventário geral do património chinês em Portugal

O lançamento das bases de um inventário geral do património chinês existente em Portugal é o objectivo de um colóquio que vai decorrer durante três dias, em Lisboa, com a participação de duas dezenas de especialistas.

Intitulado “Património Cultural Chinês em Portugal”, o colóquio vai decorrer entre 21 e 23 de janeiro no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), uma das entidades organizadores, em conjunto com a Escola Superior de Artes Decorativas Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva e o Instituto de História de Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.  
 

Contactada pela agência Lusa, Cristina Costa Gomes, uma das investigadoras e membro da comissão científica do encontro, explicou que este colóquio “vai servir para fazer um primeiro inventário geral do património chinês existente em Portugal”. 
 

“Já existem muitos estudos, mas queremos fazer um levantamento geral do que já existe, porque há novas investigações em curso e queremos reunir os especialistas para fazer o ponto da situação do que está a ser feito actualmente”, indicou. 
 

De acordo com a especialista, o património chinês existente em Portugal é vasto e está disperso por coleções particulares e públicas, desde peças de porcelana, móveis, biombos, papéis, azulejos, cartografia e textos. 
No seu trabalho, Cristina Costa Gomes está a realizar atualmente um levantamento do papel de parede chinês existente em Portugal, em casas particulares e em museus. “É um material frágil, e nalguns casos já foi alvo de restauro. Alguns já terão até desaparecido”, observou.
 
De acordo com um texto introdutório do colóquio, assinado pelos organizadores, “um dos patrimónios universais mais presente em Portugal, desde os finais do século XV, é o da civilização chinesa”. “Há mais de meio milénio que o porto, as ruas e as casas de Lisboa e do restante território acumulam cultura material e intelectual chinesa e reexportam esses traços civilizacionais para a restante Europa do sul e do norte”, sublinham. Esse património cultural chinês, “vasto mas disseminado, secularmente integrado mas não sistematicamente inventariado, organizado, investigado é um dos tesouros internacionais da cultura portuguesa”, salientam.
 
Este colóquio irá constituir “o primeiro passo dum sistemático projecto de estudo e divulgação que visa inventariar e problematizar os traços do passado chinês, presentes no universo cultural e patrimonial de língua portuguesa”.
 

“Cacos da China: Contributos para um inventário dos embrechados em Portugal”, por André Lourenço e Silva, “A representação da China na cartografia portuguesa do século XVI”, por José Manuel Garcia, e “Biombos chineses em coleções portuguesas”, por Alexandra Curvelo, são alguns dos temas que estarão em foco no encontro, a partir de segunda-feira.
 

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