Passos Coelho e François Hollande em sintonia quanto ao Orçamento Europeu

O primeiro-ministro português e o presidente francês defendem em uníssono a necessidade de preservar os fundos de coesão e a Política Agrícola Comum.

Foto
O social-democrata Passos Coelho e o socialista Hollande estão de acordo Reuters

Contrariando a intenção alemã de cortar nos fundos de coesão e na Política Agrícola Comum (PAC) no próximo orçamento comunitário, o primeiro-ministro social-democrata português, Pedro Passos Coelho, e o Presidente socialista francês, François Hollande, defenderam esta quinta-feira, em conjunto, a necessidade de preservação daqueles dois instrumentos.

"Temos as mesmas posições em relação ao Orçamento Europeu e à PAC e defendemos que os fundos de coesão devem ser preservados", afirmou François Hollande na conferência de imprensa conjunta que se seguiu ao encontro bilateral em Paris.

Passos Coelho confirmou. "Estamos convencidos que é indispensável encontrar acordo nos 27 para estabelecer a programação plurianual até 2020, mas percebemos que é difícil conciliar todos os interesses", começou por dizer. Mas não é o caso de Portugal e França: "Há entre nós uma grande confluência quanto aos fundos de coesão e à PAC, concordamos que os cortes que terão de ser feitos [no Orçamento Europeu] não devem incidir sobre essas áreas, que são críticas para o crescimento económico dos próximos anos", frisou.

A "sintonia" entre os dois líderes, sublinhada pelo primeiro-ministro, não se ficou por aqui. Passos Coelho elencou ainda a concordância sobre a "necessidade de estabilização da zona euro", o "aprofundamento das instituições europeias e o cumprimento dos tratados, tanto o de governação como o virado para o crescimento económico", frisou. 

François Hollande retribuiu a aproximação, salientando que os “difíceis esforços que Portugal está a fazer estão a dar frutos”, apesar dos "custos sociais elevadíssimos". “Tenho confiança no regresso de Portugal aos mercados”, disse.

Passos Coelho aproveitou a deixa para reafirmar a intenção de Portugal regressar em força aos mercados. "Não deixaremos de fazer emissões de longo prazo este ano", disse, anunciando que em breve o Governo anunciará as medidas necessárias para cumprir este objectivo.