Centro de Geografia da Universidade do Porto faz críticas duras a estudo da UBI sobre desenvolvimento concelhio

“O que apreciámos, envergonha a universidade portuguesa em geral e a Universidade da Beira Interior em particular”, lê-se no parecer, ao qual a Lusa teve acesso.

Um parecer do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território considera que o recente estudo da Universidade da Beira Interior (UBI) sobre desenvolvimento concelhio “envergonha a universidade portuguesa”.

“O que apreciámos, envergonha a universidade portuguesa em geral e a Universidade da Beira Interior em particular”, lê-se no parecer, ao qual a Lusa teve acesso.

Assinado pelos académicos José Rio Fernandes e Pedro Chamusca, o parecer foi elaborado a pedido da Comunidade Intermunicipal (Cim) do Tâmega e Sousa, na sequência do estudo da Universidade da Beira Interior (UBI) sobre o Indicador Concelhio de Desenvolvimento Económico e Social de Portugal.

Os resultados desse trabalho foram tornados públicos no início de Janeiro e colocavam vários concelhos do Tâmega e Sousa entre os 30 com piores indicadores a nível nacional. Nessa altura, o líder da distrital do PS-Porto, José Luís Carneiro, que também é presidente da Câmara de Baião, um dos municípios que integram a Cim do Tâmega e Sousa, não poupou críticas ao estudo e exigiu um pedido de desculpas à UBI.

A exigência é reiterada agora, depois do parecer assinado por Pedro Chamusca e José Rio Fernandes, que também integra o Gabinete de Estudos da Federação Distrital do PS. Os autarcas da Cim do Tâmega e Sousa vão exigir à Universidade da Beira Interior, através de carta, “uma retractação pública que repare os danos causados na imagem da região”. “Este parecer desmonta, de forma objectiva e clara, todos os pressupostos do estudo da UBI”, disse esta quinta-feira à Lusa Jorge Magalhães, presidente daquela Cim e autarca de Lousada. “Vamos pedir um pedido de desculpa formal. Se essa situação não se verificar, estão reunidas as condições para que se accione a universidade”, insistiu Magalhães, frisando que a decisão foi esta quinta-feira formalmente tomada pelos 12 municípios.

Jorge Magalhães disse ter havido, no estudo da UBI, “uma precipitação muito grande e uma abordagem dos considerandos de forma arbitrária e não sustentada”. “Há uma grande indignação em toda a região”, acrescentou.

No parecer do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território, sediado na Universidade do Porto (CEGOT/UP), os académicos José Rio Fernandes e Pedro Chamusca concluem que o estudo da UBI “confere pouca atenção a alguns temas que, regra geral, são considerados como importantes”. “A investigação esqueceu completamente domínios essenciais em qualquer dispositivo de avaliação de qualidade de vida, como a participação cívica, as deslocações e transportes ou elementos da sociedade de informação”, acrescenta o parecer.

Para os dois académicos, no trabalho da UBI, há “dúvidas que se levantam relativamente ao valor científico, qualidade e importância dos resultados de uma investigação que pretendia apresentar resultados credíveis e lógicos”. Insistindo que o estudo da UBI apresenta “incongruências que evidenciam a fragilidade do trabalho”, os autores do parecer do CEGOT/UP observam ainda: “Parece-nos evidente que as fontes de informação que sustentam esta investigação, apesar de fidedignas e de qualidade, são manifestamente escassas”.