Paulo Branco: autarquias e empresas poderiam "fazer muito mais pelo cinema” em Portugal

Paulo Branco defende maior envolvimento de outras entidades para além do ICA
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Paulo Branco defende maior envolvimento de outras entidades para além do ICA Ricardo Brito

O produtor Paulo Branco defendeu hoje que Portugal “poderia fazer muito mais pelo cinema do que fez até agora”, propondo um maior envolvimento de outras entidades, como autarquias e empresas, tanto na produção nacional como na captação de projectos estrangeiros.

Na apresentação do filme Cadências obstinadas, que a realizadora francesa Fanny Ardant está a rodar em Lisboa, Paulo Branco sublinhou que “na situação actual portuguesa é muito importante que se consigam captar para Portugal projectos em que actores portugueses, técnicos portugueses, uma equipa essencialmente portuguesa esteja envolvida”.

“Não se pode estar só à espera que seja o ICA [Instituto do Cinema e Audiovisual] a resolver as situações todas. As autarquias têm uma enorme responsabilidade, as televisões têm uma enorme responsabilidade e as grandes empresas deveriam ter uma enorme responsabilidade no desenvolvimento do cinema português”, disse o produtor.

Em Lisboa, por exemplo, a câmara municipal está a desenvolver um projecto - intitulado Lisbon Film Comission - para atrair para a capital a rodagem de mais produções cinematográficas. O objectivo é atrair mais produções, em particular estrangeiras, para a cidade, facilitando procedimentos e aplicação de taxas, e projectando, assim, a imagem de Lisboa no mundo. Além de Lisboa, existem projectos semelhantes no Algarve e nos Açores, com vista ao aproveitamento das regiões para a rodagem de filmes.

Ainda a propósito de investimentos no cinema e na cultura, Paulo Branco lamentou “a mentalidade e o discurso ideológico” que está por detrás da cultura e do conhecimento.

“Acho que há um desprezo total das novas elites políticas sobre o conhecimento - acho que querem guardar isto só para eles - e pela cultura. E os reflexos são muito piores do que foi em 1983 e 1985, em que também houve essa crise; atravessámos toda, mas conseguimos fazer com que as coisas não parassem, sobretudo a atenção à educação e à cultura, que se mantinham sempre. Neste momento não existe”, disse.

 

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