Crónica de jogo

Um clássico de início louco que não serviu para separar os rivais

O Benfica-FC Porto terminou empatado o que deixa tudo na mesma no topo da classificação. “Dragões” queixam-se da arbitragem, “águias” louvam espectáculo.

Matic marcou um dos golos do Benfica
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Matic marcou um dos golos do Benfica AFP

A história diz que há poucos jogos entre Benfica e FC Porto que terminam sem golos. Em 80 anos, foram apenas 11. Neste domingo, na Luz, em jogo a contar para a 14.ª jornada da Liga portuguesa, houve emoção e muitos golos, mas ninguém ganhou vantagem.

O 224.º confronto entre benfiquistas e portistas deu um empate, 2-2, que mantém tudo na mesma em termos de classificação. O Benfica vai permanecer na frente, com mais três pontos que o campeão nacional (que tem menos um jogo), e os portistas continuam a ser felizes nas suas recentes deslocações à Luz, apenas perdendo dois dos últimos 11 jogos para o campeonato.

A Liga portuguesa tem sido um jogo de parada e resposta entre Benfica e FC Porto. Ambos empataram logo à primeira jornada e os empates seguintes de ambos foram com a diferença de uma semana. Não fosse o jogo adiado dos portistas, no Bonfim, e as duas equipas teriam, provavelmente, chegado ao jogo de deste domingo como adversários siameses, com os mesmos pontos. Assim foi no jogo de ontem. Nenhum queria deixar fugir o outro.

E nenhum dos treinadores fugiu aos seus planos habituais, mesmo com alguns condicionalismos. Mais problemas tinha Vítor Pereira para substituir um dos seus homens decisivos James Rodríguez, e a opção foi a que já se esperava, Defour como uma espécie de ala direito, mas com liberdade para andar na zona mais central e até para aparecer no lado esquerdo — ainda era cedo para apostar em Izmailov de início. Já Jorge Jesus não abdicou dos dois avançados, Lima e Cardozo, tendo apenas de meter Jardel em vez do lesionado Luisão.

Com a tal mobilidade de Defour, era o FC Porto quem ganhou primeiro a superioridade do meio-campo. Os portistas apostavam na posse de bola e na pressão, os “encarnados” na velocidade. Mas se há clássicos em que as bolas demoram a entrar, este não seria um desses.

Minuto 8, João Moutinho cobra um livre do lado esquerdo, a bola viaja até à área, bate no relvado e Mangala, sem oposição da defesa benfiquista, antecipa-se a Artur e cabeceia para o golo.

Mas os visitantes não tiveram tempo para saborear a vantagem. Dois minutos depois, Matic recebe a bola à entrada da área, após toque de Cardozo, e remata para o empate.

Jogo eléctrico, como um jogo grande deve ser. Aos 15’, nova mudança no marcador. Artur sai da baliza, atrapalha-se com a bola, deixa que Jackson Martínez fique com ela e o colombiano faz o 2-1.

Erro de Artur, oportunismo do avançado colombiano e o FC Porto de novo na frente. Por muito tempo? Não. Apenas um par de minutos. Helton não foi capaz de segurar a bola após um primeiro remate e os seus colegas da defesa também não tiram dali a bola e Gaitán faz novo empate. O Benfica não queria deixar fugir o FC Porto e os portistas também não conseguiam acelerar o suficiente para se afastarem, apesar do domínio territorial.

Dezassete minutos depois do primeiro apito, finalmente algum tempo para respirar. O jogo não deixou de ser intenso e disputado, mas as equipas assentaram um pouco mais os seus esquemas. O FC Porto continuou a ter mais bola e a ser mais perigoso, tendo até razões de queixa do julgamento do árbitro João Ferreira em jogadas de contra-ataque. Era no meio-campo que estava o problema do Benfica.

Matic não chegava para tudo e Enzo Perez parecia desconfortável no lugar. Jesus esperou até à segunda parte para começar a mexer. A primeira “vítima” foi Perez, que deu o lugar a Carlos Martins, e, pouco depois, foi o pouco influente Lima o sacrificado, entrando Pablo Aimar, provavelmente para cumprir os seus últimos minutos com a camisola “encarnada” (estará de saída para o Dubai). Foi mais influente o argentino que o português, mas ambos contribuíram para um maior equilíbrio na luta do meio-campo.

Sem grandes opções no banco, Vítor Pereira lançou um jogador que tem potencial para desequilibrar, Marat Izmailov (Izmaylov, segundo a nova grafia), que teria 15 minutos para tentar desbloquear — na verdade, o russo mal tocou na bola. E foi o Benfica quem teve a última grande oportunidade do jogo. Aos 77’, num raro erro de posicionamento dos centrais portistas, Cardozo aparece isolado na cara de Helton, mas o guardião brasileiro ainda desviou o remate do paraguaio para o poste.

Até ao final, ainda houve tempo para erros de arbitragem. Maxi Pereira deveria ter sido expulso por entrada dura sobre João Moutinho e Matic também deveria ter visto o segundo amarelo nos instantes finais.