Sabe o que o seu filho anda a comprar no iPhone ou no iPad?

Multiplicam-se casos de pais que receberam contas astronómicas depois de terem descarregado aplicações e deixado os filhos brincar com os aparelhos logo de seguida. É que estes podem fazer compras durante 15 minutos sem que lhes seja pedida qualquer palavra-passe ou código.

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Um gráfico do jogo Smurf Village DR

O aviso vem do Reino Unido mas é útil para todos os que já se renderam às novas tecnologias da Apple. Especialistas em controlo parental estão a alertar os pais para que tenham cuidados redobrados quando deixam os seus filhos brincar no iPhone e no iPad, para evitarem surpresas desagradáveis quando virem a conta bancária.

Vários sites que ajudam os pais a controlar o acesso dos seus filhos a conteúdos impróprios têm tido conhecimento de muitos casos de pais que receberam contas no valor de 600 euros ou mais, depois de os filhos terem feito compras através das aplicações (in-app purchases – IAPs) enquanto jogavam no iPhone ou no iPad jogos como Playmobil Pirates, Coin Dozer e Racing Penguin.

Isto acontece porque quando as crianças tentam explorar novas áreas de um jogo ou querem armas mais avançadas para evoluir nas personagens, é-lhes oferecida a possibilidade de as comprar através de um clique.

“Sabemos de casos em que os pais receberam contas de centenas de libras, uma vez que as aplicações estão muitas vezes ligadas aos dados dos seus cartões através do iTunes. Muitas vezes o dinheiro não é debitado logo e só dias depois descobrem que lhes foi cobrado esse valor”, explica Siobhan Freegard, co-fundadora do Netmums, um site de controlo parental, citado pelo jornal britânico Guardian.

O cantor, compositor, bailarino e actor norte-americano Chris Brown é um dos que já tiveram que pagar a factura de deixar o seu filho de seis anos brincar com estes aparelhos. O artista comprou o jogo Smurfs Village para o filho e poucos dias depois descobriu que lhe tinham saído da conta cerca de 195 euros. “Primeiro pensei que a conta tinha sido alvo de um ataque informático, mas quando fui à minha conta na Apple vi que me tinham cobrado 160 libras em créditos para o Smurf Village”, diz Chris Brown.

O filho do actor comprou os créditos através da janela que ficou activa durante 15 minutos enquanto ele jogava o jogo. “Contactei a Apple e descobri que não era o único pai ingénuo no mundo. É uma situação recorrente e a Apple recusou dar qualquer tipo de reembolso”, afirma.

Depois deste episódio, Brown aprendeu a lição: desactivou a opção para comprar através das aplicações, restringindo o acesso às IAPs. É isso que recomendam os especialistas em controlo parental.

A legislação permite que, depois de os utilizadores escreverem o código do seu cartão para comprar um produto, fique activa durante 15 minutos uma janela que lhes permite fazer novas compras sem voltar a escrever o código.

Ou seja, se os pais fizerem download de uma aplicação no iPhone ou no iPad e deixarem que os filhos usem os aparelhos logo de seguida, estes podem fazer compras livremente durante 15 minutos, até que lhes seja pedido o código novamente.

“Os criadores das aplicações não são muito altruístas”, ironiza Spencer Whitman, da AppCertain, uma empresa que trabalha com os sistemas de protecção das aplicações. O que acontece é que, muitas vezes, os jogos são gratuitos numa primeira fase, mas depois é preciso pagar para continuar a jogá-los, ou para evoluir no jogo, o que é tentador para as crianças.

Os analistas da Gartnet estimam que as IAPs representem 41% das receitas das aplicações em 2016 – em 2012 representaram 10%.

A Apple defende-se: “Todos os aparelhos iOS têm formas de controlo que dão aos pais a possibilidade de restringir o acesso a conteúdos, como o acesso à Internet e a conteúdo impróprio para menores”. Os pais, ou todas as pessoas que sejam responsáveis pelas crianças que podem aceder a estes aparelhos, devem desligar os IAPs e escolher a opção que exige uma palavra-passe para voltar a ligar aquela função, nas definições dos iPhones e dos iPad.

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