Soprano Elisabete Matos celebra 25 anos de carreira em Lisboa

A soprano Elisabete Matos celebra este sábado 25 anos de carreira, com um recital, marcado para as 19h30, e o lançamento de uma fotobiografia, no Teatro São Carlos, em Lisboa.

Elisabete Matos assinala os 25 anos de carreira no São Carlos, em Lisboa
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Elisabete Matos assinala os 25 anos de carreira no São Carlos, em Lisboa Rui Soares

A soprano, que se estabeleceu em Madrid em finais da década de 1980, afirmou que a carreira “foi um sonho” pelo qual lutou, exigindo sacrifícios, dos quais “colhe agora os frutos”.

“Cantar é muito interessante e faz parte da minha vida, mas é preciso viver, e a vida é mais extensiva. Para fazer esta carreira é preciso renunciar a muitas coisas para entregar ao público o melhor de nós próprios”, disse a soprano.

A fotobiografia reúne os “principais momentos destes 25 anos - é uma passagem geral, por ordem cronológica, desde a estreia aos dias de hoje, tendo em conta o material fotográfico disponível”, sublinhou a soprano que enfatizou a opção de carreira pelas actuações ao vivo, reflectindo um menor peso discográfico.

Segundo Elisabete de Matos, “houve a preocupação de assinalar as estreias nos [diferentes] papéis [operáticos] e a presença nos palcos mais emblemáticos”, como Alla Scala de Milão ou o Metropolitan de Nova Iorque.

A cantora assina o prefácio e a obra conta ainda com depoimentos de alguns colegas, como José Carreras e Placido Domingo, com os quais partilhou o trabalho em palco.

Referindo-se à carreira a cantora lírica afirmou que, “desde o princípio, foi marcada por uma diversidade de compositores, de Mozart a Janacek, passando pelos contemporâneos”.

“Cantei Berlioz, Verdi, Puccini, Massenet, visitei quase todos, menos a ópera russa”, disse.

Em relação à música contemporânea, Elisabete de Matos referiu “a problemática quanto ao aspecto técnico - alguns compositores escrevem hoje, muitas vezes, sem conhecer a tipologia vocal que se quer usar. Encontramos papéis interessantes do ponto de vista musical, mas não se adaptam às nossas características vocais”, afirmou.

No recital de sábado, a soprano irá interpretar árias da ópera “Le Cid”, de Jules Massenet, de “Macbeth”, de Giuseppe Verdi, e ainda de “La fanciulla del West” e de “Turandot”, de Puccini.

A soprano afirmou que “o papel de Turandot é talvez o que melhor se adequa” às suas capacidades vocais.

Elisabete de Matos nasceu em Guimarães e aprendeu a tocar violino, antes de se dedicar ao canto.

Em 1997, participou na inauguração do Real Teatro de Ópera de Madrid, interpretando “Marigaila”, na estreia mundial de “Divinas Palabras”, de Antón García Abril, ao lado de Plácido Domingo que a convidou de imediato para estrear o papel de “Dolly”, na Washington Opera House, numa produção de “Sly”, de Wolf-Ferrari, com José Carreras como protagonista.

A soprano pisou palcos como o Gran Teatre del Liceu, em Barcelona, o Teatro Reggio, em Turim, São Carlos, de Nápoles, a Arena de Verona, as Óperas de Nice, Reno, Toulon e Roma, entre outras. Atuou no Festival de Salzaburgo. Este ano atuará em Nova Iorque, Los Angeles, Viena, Toulouse, Nápoles e Palma de Maiorca.

Em 2000 recebeu um Grammy Latino pela gravação de “La Dolores”, de Tomás Bretón.

Em 2010 estreou-se na Metropolitan Opera House, de Nova Iorque, como protagonista de “La Fanciulla del West”. Um êxito que a cantora afirmou que nunca esquecerá: na segunda parte foi várias vezes interrompida por aplausos do público e, no final, aplaudida de pé durante vários minutos.