Carreiras reitera críticas a Moedas por “declarações que abalam a dignidade dos portugueses”

Carlos Carreiras também ficou chocado porque havia um sorriso nos lábios de Moedas

Carlos Carreiras diz que extinção vai traduzir-se numa "perda de prestígio internacional"
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Carreiras também não gostou do sorriso de Moedas Foto: Miguel Manso

O presidente da Câmara de Cascais e dirigente do PSD, Carlos Carreiras, reiterou esta quinta-feira as críticas ao secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, pelos comentários ao relatório do FMI que “abalam a dignidade dos portugueses”.

“Neste momento, em que há, por parte dos portugueses, grandes preocupações e sofrimento em muitos deles e, acima de tudo, grande ansiedade, não cabe a um líder político comentários daquela natureza, sobre um relatório com aquele impacto”, afirmou esta quinta-feira Carlos Carreiras aos jornalistas, à margem de uma visita ao Hospital Ortopédico Dr. José de Almeida, em Carcavelos.

 
Já na quarta-feira, o autarca de Cascais, na sua página pessoal do Facebook, defendeu a demissão de Carlos Moedas, por ter considerado “muito bem feito” o relatório apresentado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre novas medidas para reduzir a despesa pública.
 
“Um membro de um qualquer Governo que tem a ‘inteligência’ de produzir uma afirmação desta natureza, perante um relatório com este teor, só pode ter uma atitude – abandonar as funções governativas, deixar a política e assumir que aspira a ser consultor técnico”, escreveu no Facebook Carlos Carreiras.
 
Esta quinta-feira, o autarca, voltou a manifestar a sua “indignação” pelas declarações e a forma como foram proferidas.
 
“Eu, enquanto social-democrata, não gostei de ver um secretário de Estado de um Governo liderado pelo meu partido... e confesso que, do ponto de vista simbólico, também me chocou porque havia um sorriso nos lábios”, disse.
 
Carlos Carreiras sublinhou ainda que Carlos Moedas é um secretário de Estado que desempenha funções políticas e não de consultor técnico. “Há que ter uma opção: ou se quer estar na política, ou se quer ter uma função técnica. Não podemos misturar isto e, no nível em que nos encontramos, tem de se ter respeito e aquelas declarações abalam a dignidade dos portugueses”, sustentou.
 
Carreiras disse ainda que não lhe cabe a ele aconselhar o primeiro-ministro, mas, defendeu, “acima de tudo, está a consciência de um secretário de Estado que ontem [quarta-feira] prestou um péssimo serviço ao país”.
 
O relatório do FMI, que foi divulgado na quarta-feira pelo Jornal de Negócios e posteriormente difundido pelo Governo, visa sugerir ao executivo formas de atingir o objectivo de um corte de 4 mil milhões de euros na despesa pública.