Advogado diz que homens que terão violado jovem de Nova Deli foram torturados na prisão

Tribunal suspendeu segunda audiência para ter tempo de rever a acusação. Quatro dos acusados tencionam contestar todas as acusações.

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Alegados violadores à chegada ao tribunal em Nova Deli, na manhã desta quinta-feira, numa carrinha da polícia AFP

O advogado que representa três dos cinco arguidos acusados pelo rapto, violação e homicídio de uma estudante de Medicina de Nova Deli diz que os seus clientes foram torturados na prisão e coagidos a admitir a culpa pelos crimes que lhes foram imputados.

Na entrada do tribunal onde decorreu a segunda audiência do processo, Manohar Lal Sharma, responsável pela defesa do motorista do autocarro, Ram Singh, bem como do seu irmão Mukesh Singh e de Akshay Thakur, disse que um dos suspeitos tinha sido torturado durante dez dias.

“Estes homens foram seriamente torturados e coagidos a declararem-se culpados. Os seus depoimentos foram todos feitos sob pressão. E as provas foram todas manipuladas para acalmar a fúria e a raiva da opinião pública”, argumentou o advogado.

Vivek Sharma, o advogado que representa outro dos arguidos, informou que o seu cliente Pawan Gupta tenciona declarar-se inocente de todos os crimes.

A segunda sessão do processo foi breve, com o tribunal a suspender os trabalhos até à próxima segunda-feira, para ter tempo de rever a acusação. Ao contrário do que se esperava, a magistrada não decidiu ainda remeter o caso a um tribunal especial que possa realizar um julgamento expedito.

A audiência decorreu à porta fechada e sob forte segurança.

O porta-voz da polícia de Nova Deli declinou fazer qualquer comentário às alegações do advogado Manohar Lal Sharma. Mas um responsável do estabelecimento prisional de Tihar, onde os cinco suspeitos adultos estão detidos, garantiu à BBC que os homens estão isolados em secções diferentes da prisão e “a sua segurança está assegurada”.

Na quarta-feira, um tribunal superior de Deli teceu duras críticas à actuação da polícia que lidou com o caso de agressão e violação da jovem de 23 anos e um amigo. A jovem, violentamente agredida e violada durante mais de uma hora por seis indivíduos, acabou por morrer 13 dias após o ataque.

O tribunal quis saber por que razão só um dos agentes que tomaram conta da ocorrência foi suspenso e se isso significava que a polícia estava a tentar proteger os restantes, cujo comportamento censurou.