Berlusconi renova coligação com Liga Norte sem decidir candidato a primeiro-ministro

Acordo com a formação xenófoba e populista torna mais incerto desfecho das legislativas de Fevereiro, em Itália. Cavaliere pondera ser ministro da Economia

A aliança de direita poderá conseguir 28 por cento dos votos
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A aliança de direita poderá conseguir 28 por cento dos votos John Thys/AFP

Silvio Berlusconi anunciou nesta segunda-feira ter chegado a acordo com a Liga Norte para uma candidatura conjunta às legislativas de Fevereiro em Itália, uma aliança que segundo as sondagens pode reunir perto de 30% dos votos, deixando mais incerto o desfecho das eleições.

 “Habemus papam”, disse o ex-primeiro italiano e líder do Povo da Liberdade (PdL) numa entrevista à estação RTL, numa referência ao acordo, ainda há umas semanas considerado improvável, com o seu antigo parceiro de coligação. Foi o afastamento da Liga Norte que, no Outono de 2011, precipitou a queda do Governo de Berlusconi, então mergulhado em escândalos sexuais e processos judiciais. Com Itália sob a mira dos especuladores, Mario Monti assumiu a chefia de um governo tecnocrático, com o apoio de todos os partidos, à excepção da Liga Norte.

Agora regressado à política, Berlusconi explicou que não ficou ainda decidido quem é o candidato da aliança de direita ao cargo de primeiro-ministro – “Decidiremos quando ganharmos” –, mas deu a entender que deseja para si um outro posto: o secretário-geral do PdL, Angelino Alfano “poderá ser o nosso candidato a presidente [do Conselho] e eu poderei talvez ser o ministro da Economia”.

Para já, acrescentou, o que foi decidido é que será ele a encabeçar a coligação – “serei o líder dos moderados” – e que o líder da Liga, o seu antigo ministro do Interior Roberto Maroni, contará com o apoio do PdL nas eleições regionais na Lombardia, que se realizam em simultâneo com as legislativas depois de o executivo local ter caído na sequência de um escândalo financeiro.

Com esta aliança, Berlusconi espera tornar-se uma ameaça séria ao Partido Democrático, a formação de centro-esquerda que, até agora, liderava destacado as sondagens. Segundo um estudo publicado ontem, a formação liderada por Pier Luigi Bersani reúne entre 32 a 33% das preferências (que sobem para 38 a 39% quando contados os votos de possíveis aliados), enquanto o PdL não ia além dos 17 a 19%, ainda assim acima dos 14 a 15% atribuídos à aliança centrista liderada por Mario Monti. Apesar de a vantagem da esquerda se manter, as duas alianças à sua direita continuam a subir nas intenções de voto e, segundo os peritos, uma aliança entre Berlusconi e o partido xenófobo poderá chegar aos 28%.