Guerra entre rádios de Braga por causa de emissor obriga à intervenção da GNR

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Antena Minho e RUM têm contencioso antigo que também passa pelos tribunais ADRIANO MIRANDA

Antena Minho desligou por duas vezes o retransmissor da Rádio Universitária do Minho nesta sexta-feira

Por duas vezes, a Rádio Universitária do Minho (RUM) deixou de se ouvir em Braga durante o dia de sexta-feira. Mas não foi por causa de um problema técnico: a disputa sobre a propriedade do retransmissor no monte de Santa Marta das Cortiças levou o administrador da Antena Minho a ir ao local desligar a emissão da concorrente. A tensão provocada pela situação obrigou mesmo à intervenção da GNR.

A emissão da RUM foi desligada, pela primeira vez, cerca das 12h. Os técnicos da rádio foram ao local do emissor, pensando tratar-se de uma avaria, mas quando lá chegaram depararam-se com três responsáveis da Antena Minho, entre os quais o administrador, Armindo Veloso. "Estava barricado lá dentro", afirma o director da Universitária, Vasco Leão, acrescentando que a situação é "completamente ilegal".

Veloso impediu a entrada dos técnicos da RUM nas instalações que acolhem o posto emissor das duas rádios e, face à tensão criada, os funcionários da rádio ligada à Universidade do Minho acabaram por regressar à redacção. Os técnicos voltaram ao retransmissor a meio da tarde, depois de consultados os advogados da estação, e já não encontraram nenhum dos responsáveis da rádio concorrente, tendo conseguido repor a emissão cerca das 16h.

Mas uma hora e meia depois, a emissão da RUM voltou a ser cortada. Desta feita os responsáveis pela rádio fizeram-se acompanhar pela GNR quando regressaram ao local, onde não encontraram ninguém, conseguindo reestabelecer a ligação. "É um caso de terrorismo", denuncia Vasco Leão, avançando que o caso vai ser comunicado à Anacom e à Entidade Reguladora da Comunicação. Os responsáveis da RUM ponderam mesmo avançar com um processo judicial pelos prejuízos causados pela interrupção da emissão.

Leão avança que o acção dos responsáveis da Antena Minho está relacionada como um diferendo entre as duas rádios por causa da propriedade do emissor. As duas rádios são as únicas que actualmente emitem em Braga e partilham, há vários anos, o emissor de Santa Marta das Cortiças. Mas desde 2008 que têm um contencioso relacionado com a posse do espaço, que nunca tinha sido até então registado. A Antena Minho acabou, no ano seguinte, por obter o registo de propriedade por usucapião, o que originou um processo judicial movido pela RUM. Na primeira instância, o tribunal deu razão à Antena Minho, mas o caso seguiu entretanto para o Tribunal da Relação de Guimarães, onde será analisado o recurso.

Anteontem, os responsáveis das duas estações estiveram novamente reunidos e a Antena Minho terá mesmo exigido 33 mil euros à RUM, sob pena de lhe cortar a emissão, o que aconteceu ontem. O PÚBLICO tentou contactar, telefonicamente e por e-mail, Armindo Veloso, mas não conseguiu falar com o administrador da Antena Minho.

À Lusa, o administrador afirmou que o corte de emissão da rival não está relacionado com o processo judicial, sendo uma "simples resposta" às dívidas, pelo consumo de energia eléctrica, acumuladas ao longo de vários anos pela RUM. "Depois de imensas diligências e reuniões, continuam sem pagar. Como não pagam, cortámos", concluiu. Veloso diz que a Antena Minho reclama o correspondente a 20% da energia gasta pelo emissor, embora pudesse imputar um terço dos custos à RUM, jáque o equipamento é partilhado pelas duas rádios locais e pela Rádio Comercial.

A Antena Minho é detida pela empresa Arcada Nova, também proprietária do diário Correio do Minho e do semanário Maria da Fonte, sediado na Póvoa de Lanhoso, bem como da agência de publicidade Vértice.

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