Igreja garante ter dado “passos muito concretos” contra a pedofilia

Conferência Episcopal Portuguesa reage a críticas do presidente da Rede de Cuidadores, que acusou a Igreja de "hipocrisia" na forma como actua perante casos de abusos de menores cometidos por sacerdotes.

A Igreja garante que tem reunidos os meios necessários para actuar em casos de possíveis abusos
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A Igreja garante que tem reunidos os meios necessários para actuar em casos de possíveis abusos Adriano Miranda

A Igreja “deu passos muito concretos na luta contra a pedofilia” e assume a “total disponibilidade para acertar a verdade relativa a eventuais abusos”. As duas garantias foram dadas nesta sexta-feira pelo porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que, em comunicado, reage às declarações do presidente da Rede de Cuidadores, que acusou a Igreja de “enterrar a cabeça na areia” em casos de abuso de menores como os que alegadamente ocorreram no Seminário do Fundão.

Manuel Morujão afirma na nota, divulgada dois dias depois das declarações do presidente da Rede de Cuidadores, que no âmbito do combate à pedofilia, a CEP elaborou directrizes “aprovadas e publicadas na sua assembleia plenária, a 19 de Abril do ano passado”, nas quais “manifesta, sem qualquer ambiguidade, a sua activa disponibilidade para prevenir e tratar eventuais casos”.

O porta-voz da CEP assegura que foram aplicados os “necessários meios para a correcção de possíveis comportamentos e mesmo a erradicação do seu seio de pessoas que mantenham atitudes incompatíveis com a sua missão na Igreja”.

Esta reacção surge depois de o presidente da Rede de Cuidadores, Álvaro de Carvalho, ter criticado a “hipocrisia da hierarquia da Igreja Católica” após a divulgação do processo que levou à detenção do vice-reitor do Seminário Menor do Fundão por suspeita de abuso sexual de menores e depois de a ex-provedora da Casa Pia de Lisboa, Catalina Pestana, ter afirmado que conhecia outros casos entre membros do clero. “Quero que seja reposta a verdade dos factos e que a Igreja Católica deixe de tentar tapar o sol com a peneira”, explicou o psiquiatra Álvaro Carvalho ao PÚBLICO.

O responsável sublinhou que recebeu “várias denúncias de abusos levados a cabo por sacerdotes e/ou responsáveis religiosos de instituições católicas”, explicando que a associação não actuou porque os crimes estavam prescritos, mas que exisitiram tentativas para ajudar a evitar a continuação de “tais práticas criminosas”.

Manuel Morujão responde às acusações assegurando a “total disponibilidade para acertar a verdade relativa a eventuais abusos, recordando que compete, a cada bispo na sua diocese, a responsabilidade de pôr em prática as directrizes da Conferência Episcopal Portuguesa: reconhecer a verdade, apoiar as eventuais vítimas, colaborar com as autoridades, procurar todos os meios para superar tão grave problema”.

O porta-voz da CEP lembra que foi essa a posição firmada pelo arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, em Março de 2011, quando na qualidade de presidente da Conferência Episcopal reuniu com responsáveis da Rede de Cuidadores e lhes garantiu a disponibilidade da Igreja para que “os mais indefesos possam ser, também, os mais protegidos”.

Reconhecendo o “importante papel da Rede de Cuidadores”, a Igreja afirma-se disponível para “colaborar com todas as instituições que tenham como missão proteger os menores de todos e quaisquer abusos”.