Ferro Rodrigues espera que Passos se demita se normas do Orçamento forem chumbadas

Ferro Rodrigues diz que é importante fomentar a ideia de que há uma alternativa política para o país.

Ferro Rodrigues quer plataforma alargada que defenda a reestruturação da dívida pública
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Ferro Rodrigues quer plataforma alargada que defenda a reestruturação da dívida pública Enric Vives-Rubio

Ferro Rodrigues, deputado do PS, afirmou esta sexta-feira que espera que Passos Coelho se demita caso os artigos da Lei do Orçamento, que serão analisados pelo Tribunal Constitucional, forem declarados inconstitucionais. Ou, pelo menos, que o primeiro-ministro mude de política.

Em entrevista à Antena 1, o antigo secretário-geral do PS afirmou: “Esperemos que esse seja o momento em que seja anunciada uma mudança de política ou a demissão do primeiro-ministro.”

O Presidente da República, Cavaco Silva, suscitou a fiscalização sucessiva de três normas do Orçamento do Estado para 2013 na quarta-feira ao Tribunal Constitucional. Em causa, estão os artigos relativos à suspensão do pagamento do subsídio de férias (em geral e para aposentados e reformados) e à contribuição extraordinária de solidariedade. Já nesta sexta-feira, 50 deputados do PS solicitaram igualmente a fiscalização destes três artigos do Orçamento.

Mas o mais importante neste momento, sublinhou Ferro Rodrigues, é fomentar a ideia de que há uma alternativa política para o país. “Penso que o mais importante é criar a ideia junto dos portugueses e ao nível internacional de que há uma alternativa para Portugal, que não é esta”, disse.

Ferro Rodrigues deixou também recados internos, ao defender que não deve haver da parte dos socialistas “um frenesim” para regressar ao poder, até porque não depende do PS a criação de uma crise política que possa conduzir à queda do Executivo.

“Penso que não deve haver da parte do PS nenhuma espécie de frenesim no sentido de apressar uma crise política, até porque não tem os meios para criar qualquer crise política. Uma crise política hoje, em Portugal, ou é da iniciativa do Presidente da República ou é da iniciativa de um primeiro-ministro que se demita ou de uma coligação que deixe de funcionar”, disse Ferro Rodrigues.

Na mesma entrevista, o parlamentar do PS insistiu na ideia de dinamizar junto dos portugueses e no cenário internacional a necessidade de reestruturar a dívida. Uma plataforma, disse, que deve ser plural e juntar gente de dentro e de fora dos partidos.

“É importante que se crie a ideia em Portugal de que há uma alternativa programática, uma alternativa estratégica para Portugal, que não é apenas um programa de renegociação, mas também de reestruturação da dívida”, afirmou Ferro Rodrigues.