Pumpkin, uma empresa muito familiar

O site ajuda famílias a encontrarem serviços e actividades de que precisam. Com 35 mil utilizadores registados em Portugal, está a preparar a internacionalização.

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Mariana e Frank estão a pensar expandir a empresa para fora de Portugal Enric Vives-Rubio

Mariana Pessoa é portuguesa, Frank de Brabander é holandês. Têm 37 anos, são casados e, com poucos meses de intervalo, começaram a criar uma filha e uma empresa. “Fomos completamente malucos”, diz ele, num português de sotaque carregado, mas fluente.

A Pumpkin é hoje uma plataforma online que ajuda famílias a encontrarem serviços e actividades (organizações de festas de aniversário, programas para crianças ao fim de semana, babysitters). Tem 35 mil utilizadores registados em Portugal e deverá internacionalizar-se neste ano.

A ideia começou há pouco mais de três anos. Em 2009, Mariana decidiu regressar do Reino Unido, onde trabalhava com Frank na BP, para que a filha nascesse em Portugal. Ele já tinha vindo antes, recrutado por uma empresa para uns meses de trabalho de consultoria, para tentar perceber se se adaptaria ao país. Concluiu que sim.

A ideia da Pumpkin nasceu das próprias necessidades dos fundadores. Com a primeira filha (hoje têm duas), veio a necessidade de uma série de serviços que antes nunca tinham usado. Aconselhavam-se com a família e amigos para perceberem quais os melhores. E ocorreu-lhes que muitos pais estariam na mesma circustância e que poderiam beneficiar de uma forma simples de descobrir e seleccionar serviços e actividades para os filhos. Inspirados por um site holandês de pesquisa de serviços de construção, perceberam que uma plataforma online para famílias podia ser um negócio para fazerem a vida em Portugal.

Para testar o conceito, criaram um pequeno questionário no Facebook. Distribuíram-no por pessoas conhecidas. O questionário espalhou-se e, em cerca de dois meses, tiveram 500 respostas. Era sinal de que havia interesse, recorda Frank.

No início de 2010 criaram a empresa e concorreram a 250 mil euros em fundos do QREN. A candidatura foi aprovada em Outubro e em no mês seguinte lançaram a primeira versão do site. Era essencialmente um site para pesquisa de serviços e não correu particularmente bem.

Foi com o tempo e com o contacto com outros pais que perceberam melhor as necessidades das famílias e que a Pumpkin (o nome da empresa, “abóbora” em português, é o nome que chamavam à primeira filha) evoluiu para os moldes actuais. O site permite fazer um pedido para um determinado serviço, definindo a data e a localização geográfica pretendida. Os prestadores de serviços que estejam inscritos na plataforma recebem o pedido e podem responder com uma oferta. O utilizador selecciona a empresa que pretende, podendo para isso recorrer aos comentários e classificação já deixados na Pumpkin por utilizadores anteriores.

Para além disto, a plataforma inclui ainda informação que pode ser útil para a vida familiar, como agendas de eventos e sugestões de actividades.  “Com a crise, o sector de serviços foi muito afectado”, observa Mariana, explicando que muitas famílias procuram ocupações para as crianças, sobretudo ao fim de semana, que não passem por gastar dinheiro a inscrevê-las em actividades.

A utilização da plataforma é gratuita. Mas, para poderem receber pedidos de utilizadores, os prestadores de serviços – actualmente, cerca de 700 – têm de pagar. Outra fonte de receitas são as newsletters: uma empresa pode pagar para aparecerem em lugar de destaque. O negócio assenta na ideia de comunidade, explicam os fundadores. A Pumpkin serve de ponto de contacto com muitas famílias e isso interessa a empresas.

Mariana e Frank dizem que uma das lições que tiraram do crescimento da Pumpkin é que é preciso “dar pequenos passos de cada vez”. O crescimento tem sido “orgânico”, com base no que aprendem com as outras famílias. “Não é uma corporação a tentar vender um produto”, sublinha Mariana. Mas a empresa, que já integra cinco pessoas, prepara-se agora para um passo grande: sair de Portugal. O Reino Unido é o mercado mais provável. Não apenas porque ambos lá viveram, explica Mariana, mas também por ser “um país que vive muito em família”.