Banif em alta na bolsa depois de conhecida recapitalização

Investidores respondem à recapitalização do banco com optimismo, mas mercados podem ainda optar entre o aumento de capital e o estímulo negativo da gestão do Estado.

Investidores têm que fazer uma escolha entre o impulso negativo do controlo do Estado e o positivo do reequilíbrio das contas
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Investidores têm que fazer uma escolha entre o impulso negativo do controlo do Estado e o positivo do reequilíbrio das contas Catarina Oliveira Alves

As acções do Banif encontravam-se a valorizar acima dos 10% na manhã desta quarta-feira. Apesar de várias oscilações (sempre em terreno positivo), os investidores parecem estar a responder de forma optimista ao anúncio da recapitalização do banco.

Por volta das 10h25, já tinham sido negociados mais de 2,25 milhões de títulos na bolsa de Lisboa. As acções do banco liderado por Jorge Tomé valorizavam então 11,64%, para os 0,163 euros.

Como explicou ao PÚBLICO João Queiroz, reponsável pela negociação do Banco Carregosa, existem dois factores que podem entrar em jogo no que toca à evolução das acções do Banif em bolsa. O primeiro, afirmou, “mais fundamental” e que parece vigorar agora, é o efeito do equilíbrio a longo prazo dos passivos, capitais próprios e activos através da recapitalização. 

Mas “pode haver um efeito dissuasor” para os investidores: a participação do Estado no tecido accionista do banco.

“Existem ainda algumas incertezas” em relação ao papel do Estado, afirmou João Queiroz ao PÚBLICO. Caso o Estado se mantenha como principal accionista do banco de forma muito temporária, “o efeito de dissuasão pode ser minimizado”. No entanto, caso o contrário se venha a verificar, ou seja, caso haja uma gestão “mais estatal”, os efeitos podem ser “menos simpáticos”.  

Para o responsável do Banco Carregosa, a questão que se coloca agora nos mercados é a de ver que efeito é que perdura mais, se o efeito positivo da recapitalização do banco, ou o efeito negativo da participação do Estado.

Com o investimento directo de 700 milhões de euros nas acções do banco, o Estado torna-se o principal accionista do Banif até que o processo de recapitalização passe para a segunda fase e para o aumento de capital de 450 milhões de euros com investidores privados.

O Banif é o terceiro banco privado a ser alvo de um processo de recapitalização pública assegurada pela troika, depois de o BCP e BPI terem também recorrido à linha de emergência, ainda que a participação do Estado nunca tenha ultrapassado os 50% nestes casos. Com os 1100 milhões de euros investidos no Banif (700 milhões de participação directa e 400 milhões em dívida), as contribuições do Estado na banca desde que teve início o programa de resgate internacional sobem para os 5600 milhões de euros.

Este é o primeiro dia em que as acções do banco se encontram a negociar no PSI20 desde que foi anunciado o processo de recapitalização pelo Estado. O anúncio foi feito na tarde de segunda-feira, já depois de a bolsa de Lisboa ter encerrado antecipadamente às 13h por força do fim de ano. Na terça-feira, dia 1 de Janeiro, a bolsa esteve encerrada.