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Megafone

O mundo não acabou e a música continua

Aviso, desde já, que não ambiciono fazer um top melhores artistas de 2012 nem eleger os melhores discos do ano. Partilho alguma da música que me acompanhou durante o ano

Agora que todos podemos voltar à pergunta do “onde vais passar o fim do ano?” e já não “onde vais passar o fim do mundo?”, sinto-me verdadeiramente em paz para pensar em quem me deu música este ano.

Aviso, desde já, que não ambiciono fazer um top melhores artistas de 2012 nem eleger os melhores discos do ano, até porque na lista do que mais ouvi está um EP e tenho dúvidas que, numa verdadeira lista de “Os melhores álbuns de 2012”, seja admitido pelos verdadeiros críticos um “extended play” – muito mais do que um single, mas certamente menos que um álbum.

De qualquer maneira, e porque na altura do Natal a palavra de ordem deve ser partilhar, além do que durante o ano mostrei no meu blogue, hoje partilho os cinco álbuns (um deles um EP, vá) que mais ouvi este ano. Uma banda sonora que tornou as minhas viagens de carro, tardes em casa, dias de trabalho ou noites, mais felizes. Quem sabe, estamos em sintonia.

Começo pela banda britânica que recentemente pisou Lisboa. Originários de Leeds, no Norte de Inglaterra, os Alt-J estão nos meus ouvidos desde Junho e o álbum “An Awesome Wave”, lançado em Maio, foi, merecidamente, vencedor do “British Mercury Prize” – o prémio musical anual para o melhor álbum em Inglaterra e na Irlanda. Num estilo que tem sido apelidado de “art rock” e com letras como “Triangles are my favorite shape/ Three points where two lines meet./ Toe to toe, back to back, let's go/ My love it's very late./ Til morning comes, let's tessellate”, o álbum destes britânicos é um dos que deve estar a tocar na ceia de Natal.

Mais a Sul, vindos de Londres, os Django Django foram uma das bandas que mais tocou no meu iTunes. O álbum, com o mesmo nome, foi lançado em Janeiro e o género enquadra-se num indie rock que agradou à crítica e que agradou, provavelmente, todos os que assistiram ao contagiante concerto que a banda deu no Vodafone Mexefest, em Lisboa.

Vale a pena abandonar Inglaterra e viajar até Nova Iorque para ouvir a voz de Lizzy Plapinger, o estilo de Max Hershenow e o género chillwave dos MS MR. A música do duo norte-americano, associada aos vídeos com imagens nostálgicas e efeitos “seventies”, foi, para mim, uma das melhores descobertas do ano de 2012.

Numa previsão apaixonada do fim do mundo, e numa das minhas músicas preferidas da banda, “Dark Doo Woop”, a banda tocou, sentida, no recente Vodafone Mexefest: “It's all gonna shift, it's out of our hands/ Babe if you could know, you would hatch a plan/ That's my, that's my man/ If we're gonna die, bury us alive/ If they're searching for us they'll find us side by side”.

Longe do fim, e de Nova Iorque, está um álbum que é pecado não conhecer: Orelha Negra do projecto português com o mesmo nome. Sam The Kid, Fred, Cruzfader, João Gomes e Francisco Rebelo juntaram-se numa aventura que tem tanto de hip hop como de soul, de chill como de groove, e samples que fazem vibrar colunas e palcos. Músicas como “Throwback”, “Juras” ou “Viva ela” melhoram a qualidade de qualquer Mp3 e, sem dúvida, a qualidade da indústria discográfica portuguesa.

Em jeito de despedida, do ano e do texto, falta (entre tantos outros) referir o álbum Criôlo de B Fachada. “Porque é que não é tudo como calha?” é uma das interrogações do artista português numa das minhas músicas preferidas do álbum que acompanhou metade do meu ano. Para B Fachada o ano de 2013 será um ano sabático (o cantautor anunciou que não vai lançar álbuns nem dar concertos), para a música portuguesa (e para a economia) um ano menos rico. 2012 foi um ano de crise, mas musicalmente não foi nada mau. Enquanto o mundo não acaba, e para evitar que continue igual, é preciso ouvir e descobrir boa música. O meu contributo está aqui. E o vosso?