Polícia procura em todo o país mulher suspeita de matar filhos em Alenquer

Mãe das vítimas é suspeita e as buscas das autoridades foram alargadas a todo o país. GNR foi chamada à casa onde as crianças de um e três anos terão morrido num incêndio.

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A casa onde a família vivia na localidade de Preces, em Alenquer Helena Colaço Salazar

A GNR e a Polícia Judiciária (PJ) alargaram nesta quinta-feira a todo o país as buscas à mãe das duas crianças mortas em Alenquer, lançando alertas para as autoridades fronteiriças, já que a progenitora é estrangeira.

As duas crianças, uma menina de um ano e um menino de três, foram encontradas mortas numa casa na localidade de Preces, freguesia de Cadafais, em Alenquer, depois de um incêndio na habitação na noite de quarta-feira.

A polícia suspeita que as crianças possam ter sido assassinadas pela própria mãe, que está desaparecida. A GNR tem, por isso, em curso uma operação de localização da mulher, de nacionalidade brasileira, em cooperação com a Polícia Judiciária, “por existirem forte indícios de que as duas crianças foram mortas e por recaírem sobre a mãe as suspeitas da prática do crime”, disse fonte da GNR.

As buscas incluem agentes da PJ, que assumiu entretanto a investigação do caso, e militares da GNR. As autoridades, segundo indicou fonte da Polícia Judiciária ao PÚBLICO, mantêm nesta altura todas as hipóteses em aberto, desde o cenário de fuga à eventualidade de a mulher ser encontrada já sem vida.

A GNR de Alenquer foi chamada à casa rural cerca das 22h de quarta-feira, quando as crianças foram encontradas sem vida. O PÚBLICO apurou que o caso chegou ao conhecimento das autoridades através de uma chamada telefónica da sogra da cidadã brasileira, que, pelas 22h05 de quarta-feira, alertou a GNR de Alenquer, afirmando que a nora dizia ter morto os dois filhos pequenos.

A GNR dirigiu-se ao local e solicitou também a presença dos bombeiros, que, quando chegaram ao largo central da pequena localidade de Preces, encontraram já a habitação a arder.

“O incêndio foi extinto muito rapidamente, em dez minutos. Havia era muito fumo e foi mais difícil chegar às crianças”, explicou Rodolfo Batista, comandante operacional municipal de Alenquer, frisando que, segundo os bombeiros que chegaram até aos corpos, o fogo consumiu essencialmente um amontoado de roupa e um colchão do quarto.

“A informação que temos dos bombeiros é que o quarto estava fechado, com a porta trancada e sem chave”, salientou Rodolfo Batista, explicando que a morte das crianças se deveu à inalação dos fumos que se acumularam no quarto. Os menores ainda foram assistidos pelo INEM, sem sucesso.

O fogo não chegou a espalhar-se pelo resto da residência, nem causou danos nas casas vizinhas. E o desenlace causou muita surpresa na terra. O pai das crianças chegava também a casa naquela altura, quando se apercebeu da situação. Rodolfo Batista adianta que se trata de “uma casa de uma família normal” com algumas condições e que os sogros da cidadã brasileira frisavam que não entendiam por que é que isto acontecera.

“A avó dizia que todos os dias estava com as crianças, que tinham brinquedos, tinham tudo. Não percebe por que é que isto aconteceu”, acrescenta o responsável operacional, referindo que nas pessoas que se aglomeraram no local não havia conhecimento de desentendimentos que pudessem motivar uma situação destas. “Dizem que nada levava a crer que isto acontecesse”, referiu ao PÚBLICO.