Jacintha Saldanha deixou três bilhetes, um com críticas ao hospital

Marido da enfermeira exige que o hospital revele tudo o que aconteceu. Autópsia revela enforcamento.

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A autópsia ao corpo da enfermeira revelou enforcamento Carl Court/AFP

A enfermeira Jacintha Saldanha deixou três notas de suicídio, uma delas com críticas a elementos do hospital onde trabalhava e onde atendeu o telefonema falso de uma rádio australiana

Jacintha Saldanha, de 46 anos, enforcou-se, revela o jornal The Guardian, que teve acesso às notas deixadas pela enfermeira e ao relatório da autópsia.

O inquérito à sua morte começou ontem e foram ouvidos a enfermeira e o segurança que alertaram a polícia, ao depararem com o corpo de Jacintha Saldanha num dos apartamentos do Hospital Rei Eduardo VII destinados às enfermeiras de serviço. Dois dos bilhetes estavam no local, avança o The Guardian. O terceiro foi encontrado juntamente com os objectos pessoais da enfermeira.

Dois animadores da rádio australiana 2Day FM ligaram para o hospital. A animadora, simulando a voz da Rainha Isabel II, pediu para falar com a neta, Kate Middleton, ali hospitalizada devido a náuseas provocadas pela gravidez. O seu colega, em som de fundo, fazia-se passar pelo príncipe Carlos, sogro de Kate.

Uma das notas deixadas por Jacintha Saldanha diz respeito ao seu funeral; outra comenta a partida de que foi alvo – não só respondeu à suposta rainha, dando-lhe indicações sobre o estado de saúde de Kate, como passou a chamada para outra colega; e uma terceira menciona críticas a funcionários do hospital. O The Guardian diz que recolheu a mesma informação de duas pessoas que leram os bilhetes.

O hospital anunciou que vai abrir um inquérito ao comportamento dos funcionários, uma vez que há um protocolo a seguir quando membros da família real estão ali hospitalizados.

O deputado trabalhista Keith Vaz – que é o porta-voz do viúvo de Jacintha Saldanha e dos dois filhos do casal – disse que foi enviada uma carta à administração do hospital a exigir que "todos os factos" sejam divulgados. O primeiro-ministro, David Cameron, já tinha dito o mesmo: a família deve ter acesso a todos os factos.