Ministério abre vagas para todos os recém-licenciados em Medicina

A partir de Janeiro, 1700 médicos internos vão começar a trabalhar em unidades de saúde públicas e, pela primeira vez, também privadas. Salário ronda os 1500 euros por mês.

O número de vagas para o chamado ano comum tem vindo a crescer ano após ano
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O número de vagas para o chamado ano comum tem vindo a crescer ano após ano Enric Vivies-Rubio

A partir de Janeiro, 1700 recém-licenciados em Medicina vão começar a trabalhar em unidades de saúde públicas e, pela primeira vez, também privadas.

O mapa dos internos do chamado ano comum já tinha sido divulgado há um mês, mas a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) fez questão de destacar, em nota divulgada nesta quarta-feira, a aprovação destas vagas — por despacho dos ministros da Saúde e das Finanças — que permite o ingresso no ano comum a “todos os recém-licenciados pelas Faculdades de Medicina portuguesas”.

Os médicos internos que fazem este primeiro ano de formação comum vão receber 1566,42 euros por mês, o que corresponde a um horário semanal de 40 horas, acrescenta a ACSS.O Norte é a região do país com mais vagas (612), seguida de Lisboa e Vale do Tejo (539), Centro (323), Algarve (82) e Alentejo (58). Os Açores e a Madeira têm 52 e 34 vagas, respectivamente.

Apesar de haver 1777 candidatos e de o ministro ter chegado a anunciar a abertura de 1800 vagas, o presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM), Manuel Abecasis, mostrou-se satisfeito com o resultado do concurso deste ano porque, explicou, “há sempre candidatos que acabam por desistir” e o número de vagas revelou-se suficiente. No ano passado tinham sido abertas 1546 vagas e, em 2010, 1343, frisa a ACSS.

O presidente da ANEM está agora preocupado com o próximo ano, quando os internos do ano comum começarem a formação na especialidade, por temer que não haja vagas para todos. “Este ano já foi muito difícil [assegurar vagas]” e até se recorreu, pela primeira vez, a hospitais privados, lembrou.

Também o próximo concurso para o ano comum é motivo de preocupação, uma vez que o número de estudantes nas Faculdades de Medicina tem vindo a crescer gradualmente nos últimos anos, devido ao aumento do numerus clausus.

Quando acabam o curso de Medicina, os licenciados fazem um ano de formação comum. No segundo ano, escolhem as especialidades médicas, que demoram entre cinco a sete anos a concluir.