GAU: o melhor da “street art” de Lisboa já está no papel

Publicação semestral vai ser uma “restrospectiva” dos trabalhos feitos pelos “graffiters” que colaboram com a GAU ao longo do ano

A Galeria de Arte Urbana (GAU) já conta com uma revista em papel. A publicação é semestral e a melhor parte é que é gratuita. A sua finalidade é simples: “Dar continuidade à divulgação dos trabalhos feitos pelos ‘graffiters’ que colaboram com a GAU” e levantar a ponta do véu em relação a novos projectos.

 

Com três anos de trabalho dedicados à promoção da “liberdade criativa” nos espaços públicos da capital, Sílvia Câmara, directora adjunta do GAU, contou ao P3 que esta publicação vai ser “uma aposta diferente”. No fundo, é uma espécie de “retrospectiva dos trabalhos expostos", tanto nos painéis da Calçada da Glória e no Largo da Oliveirinha, como, em muros e fachadas da cidade.

 

Nesta primeira edição, Sílvia Câmara refere que o destaque vai para a Mostra de Arte Urbana 2012, talvez a mais “ecléctica” que a GAU já recebeu e que inclui “graffitis” feitos por Pedro Zamithpor Hugo Lucas, pela dupla italiana To/Let e por muitos mais.

 

Outra das novidades da revista é a inclusão de uma grande entrevista sobre um “graffiter” que vai ser escolhido a dedo para cada edição. O primeiro a ser apresentado é ParizOne, um artista "conceituado" no meio da arte urbana, que consegue pintar 20 horas sem parar.

 

Um dos mais recentes trabalhos da GAU chama-se Corredor Verde” e poderá vir a ser um dos destaques da próxima edição da revista da galeria. Este é um projecto de Gonçalo Ribeiro Telles que foi concretizado pelas mãos dos “graffiters” RAM (Miguel) e Klit (Frederico). O "graffiti" encontra-se junto ao Parque Eduardo VII, em Lisboa, e é uma espécie de "iris colorida ligada à natureza que olha para todos os que por ela passam", referiu ao P3 RAM.

 

Lisboa pró “graffiti”, Porto reticente

Sendo “graffiter” profissional, RAM já teve a oportunidade de visitar cerca de 33 países. Contudo, destaca que “nunca viu uma organização de carácter estatal que faça aquilo que a GAU tem feito em Lisboa em termos artísticos”. Para ele “não só tem ajudado os artistas mais velhos a darem continuidade à sua obra com condições melhores”, como, também, “tem sido uma espécie de escola para os ‘graffiters’ mais jovens”.

 

Apesar da GAU ter contribuído para a liberalização do “graffiti” em Lisboa, pelo Porto o panorama é bem diferente. Em Fevereiro de 2012 foi votada uma nova versão do Código Regulamentar do Município do Porto que colocou mais limitações ao “graffiti”. Uma delas é a aplicação de coimas até 20 euros a todos aqueles que “mantenham inscritos ‘graffitis’ em imóveis visíveis do espaço público, quando os infractores tenham sido identificados e o proprietário não tenha deduzido a respectiva queixa-crime”.

 

Face a esta situação, RAM é seguro ao afirmar que o “graffiti” vai acabar por ser o caminho a escolher, porque “é a única forma de arte que as pessoas são obrigadas a consumir”, sobretudo numa altura em que “raramente há tempo para visitar museus ou exposições”.