Santos Pereira: Ambiente não pode prejudicar a política industrial europeia

Ministro da Economia receia que regras forcem mais à deslocalização de empresas.

Álvaro Santos Pereira: Portugal tem de ter “das fiscalidades para as empresas mais arrojadas da Europa”
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Álvaro Santos Pereira: Portugal tem de ter “das fiscalidades para as empresas mais arrojadas da Europa” Daniel Rocha

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, defendeu nesta segunda-feira, em Bruxelas, uma política industrial europeia mais “amiga do investimento”, defendendo que a reciprocidade é a palavra-chave, e critica o “fundamentalismo” de algumas regras ambientais.

“A Europa tem que flexibilizar algumas das suas regras. Muitas vezes, a Europa está mais preocupada em manter regras muito fundamentalistas, que prejudicam a nossa indústria e prejudicam o nosso emprego”, disse o ministro aos jornalistas.

Em relação aos instrumentos para a reindustrialização da União Europeia (UE), Santos Pereira desejou que, “ao nível das regras ambientais e de outras regras, obviamente, que sejam importantes, a Europa não seja mais papista que o papa em relação a outras regiões do globo”.

O ministro considerou também que, muitas vezes, a UE, “ao impor regras extremamente difíceis às nossas empresas e incentivando a deslocalização para outras áreas do globo onde estas regras não existem, contribui, por exemplo, para o agravamento das alterações climáticas, e muitas vezes para que a protecção (social) dos trabalhadores não aconteça”.

“Ao nível dos regulamentos da introdução dos biocombustíveis, ao nível do combate às alterações climáticas, é fundamental que a Europa mantenha a sua liderança, desde que não prejudiquemos a nossa indústria”, exemplificou.

Se as empresas se deslocalizam, salientou ainda, a Europa acaba por importar bens produzidos com regras ambientais muito mais brandas que as da UE.

Numa altura em que a Europa está numa situação débil, tem de ter uma política orientada para a reindustrialização.

A reciprocidade para a reindustrialização da UE significa que “nós temos que ter o mesmo tratamento que os outros nos dão, noutros países”, uma vez que “não é aceitável que, em prol da nossa política ambiental ou política comercial, a Europa tenha perdido indústria desnecessariamente para outras partes”.

A Europa tem que ser “mais arrojada” com pedidos de reciprocidade e fazer com que as políticas ambientais sejam “amigas do investimento”, disse o governante, defendendo uma “posição mais musculada, mais concertada”.

No conselho de ministros da Competitividade, foi ainda decidido criar, a cinco, um grupo de “'amigos da industrialização', que manterá encontros muito regulares”. Os ministros de Portugal, Espanha, Itália, França e Alemanha assinaram uma carta aberta em que defendem as suas posições sobre a industrialização, que deverá ser divulgada na terça-feira.