Marcelo diz que privatização parcial da RTP permite ao Governo manter controlo político

Para o comentador, cenário de privatização de 49% da RTP é bom para o privado e para o Governo. E mau para o Estado.

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Marcelo voltou a mostrar preocupado com as polémicas em redor da RTP Pedro Cunha

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou neste domingo que o modelo de privatizar apenas 49% da RTP é bom para o privado (que não precisa de gastar tanto dinheiro como se comprasse 100%) e para o Governo (que “continua a controlar” o canal público numa altura em que se aproximam ai várias eleições). Considerou, porém, que é um mau negócio para o Estado.

No seu habitual comentário dominical na TVI, o antigo presidente do PSD reafirmou que o caso da RTP tem se ser resolvido rapidamente, porque a situação continua a deteriorar-se, com “as audiências a caírem a pique”, no que classificou como “um pandemónio” e um “apodrecimento”. E criticou o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, por dizer que nada de grave se passa nada na RTP.

“Este novo cenário é o melhor para o Governo, não digo para o país, digo para o Governo”, começou por afirmar. E justificou: “Controla politicamente. Só mesmo lírios da planície (…) é que podem dizer que um privado escolhido por um Governo e que tem 49% não é sensível à influência política de um Governo que tem 51%. Isso é não conhecer nem Portugal, nem os empresários portugueses, nem conhecer em geral a tradição da televisão portuguesa.”

O também conselheiro de Estado de Cavaco Silva diz ainda que esta solução embaratece a venda, “o que é um mau negócio para o Estado.”

“Se a ideia é vender a um grupo português que não tem muito dinheiro para comprar, isto embaratece a venda. Para o Estado é pior, mas desde que a RTP entrou no plano inclinado tudo é pior”, acrescentou.

Marcelo lembrou também que vêm aí várias eleições e que “os governos pensam nisso e pensam na comunicação social”.

O comentador falou também numa “experiência muito curiosa” de uma televisão “muito clássica, muito ortodoxa e muito estatal” a fazer uma “fusão com um órgão de comunicação social de imprensa popular”.

Marcelo referia-se ao grupo Cofina, detentor do Correio da Manhã, dado como estando na frente da corrida para entrar na RTP.

Marcelo diz não dar como adquirido que seja a Cofina que vai entrar na RTP, mas diz andar à procura “de explicações e de compradores”. “E eu admiti que esta solução fosse uma solução feita à medida para facilitar esse casamento”, salientou.

Já sobre o processo disciplinar instaurado ao ex-director de informação, Nuno Santos, por declarações no Parlamento em que afirmou que a sua saída se devia a saneamento político, Marcelo afirmou esperar que os inquéritos em curso sejam concluídos rapidamente.

Afirmou, porém, que o processo disciplinar “peca por tardio” e que as guerras em curso na RTP ainda a desvalorizam mais. 

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