EDP, BES e CGD com nota positiva na gestão das emissões de carbono

Algumas das maiores cotadas portugueses surgem nos lugares cimeiros de um ranking sobre a forma como as empresas ibéricas lidam com o problema das alterações climáticas.

No índice de transparência, a EDP é a primeira portuguesa no ranking, no quinto lugar
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No índice de transparência, a EDP é a primeira portuguesa no ranking, no quinto lugar Nelson Garrido

As maiores empresas portuguesas apresentam preocupações com as alterações climáticas, incorporando-as na sua estratégia de negócio. Entre estas, a EDP, o Banco Espírito Santo e a Caixa Geral de Depósitos surgem bem classificadas num relatório que avalia a transparência e o desempenho da gestão das emissões por parte de grandes cotadas ibéricas.

O relatório Iberia 125 Climate Change Report 2012, esta quinta-feira divulgado em Lisboa, analisou a gestão do fenómeno das alterações climáticas nas maiores empresas cotadas espanholas (85) e portuguesas (40).  

Em relação ao índice de transparência, a EDP é a primeira portuguesa no ranking, no quinto lugar. Segue-se-lhe o BES, em sétimo, a Galp Energia em nono e a Sonae em décimo. Já no que diz respeito ao desempenho da gestão de emissões, é a Caixa Geral de Depósitos que surge nas primeiras posições, concretamente em quarto lugar, e é a que obtém melhor performance entre as entidades financeiras dos dois países ibéricos.

O relatório, elaborado pela organização não governamental Ecodes, com avaliações realizadas pela PricewaterhouseCoopers com o apoio da Euronatura em Portugal, conclui que, “apesar dos obstáculos para financiar os investimentos necessários, as empresas que respondem ao questionário continuam a evoluir na gestão que fazem do fenómeno das alterações climáticas”.

Porém, “o interesse expresso pelas empresas contrasta com a falta de objectivos de redução de emissões a longo prazo, necessários para relançar o crescimento económico de maneira sustentável”, lê-se no relatório. O que se pode explicar pela crise financeira actual. “Existe incerteza no quadro regulatório e há escassez de crédito para investimentos, de onde deriva a dificuldade em formular estratégias a longo a prazo”, acrescentam os responsáveis pelo estudo.

No entanto, alertam os autores, “as empresas que adiem a sua estratégia para as alterações climáticas até que o ciclo económico melhore, encontrar-se-ão em desvantagem competitiva. Serão as empresas mais eficientes e com menos emissões de carbono a terem maior capacidade de desenvolvimento quando os cenários macroeconómicos exibirem uma melhoria”.

O relatório ibérico integra o Carbon Disclosure Project, que analisa a forma como as maiores empresas do mundo incorporam as alterações climáticas na sua estratégia de negócio. Em 2012, mais de 3000 empresas em todo o mundo responderam aos questionários, dando conta das suas estratégias para as alterações climáticas e emissões de gases com efeito de estufa.