Dez ideias para quem quer ser voluntário e não sabe por onde começar

Guia de ajuda para quem procura uma forma de ajudar os outros. Nesta quarta-feira celebra-se o Dia Internacional do Voluntário.

Voluntários do Banco Alimentar
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Voluntários do Banco Alimentar Enric Vives-Rubio

Dizemos de nós próprios, portugueses, que gostamos de ajudar o vizinho, o amigo, o conhecido e o desconhecido. O que os números mostram é que o fazemos fora das organizações.

De acordo com o Eurobarómetro e o European Value Study, Portugal está entre os países da União Europeia em que a participação em actividades de voluntariado é mais baixa. No Dia Internacional do Voluntário, o PÚBLICO deixa dez sugestões a quem quer dar um pouco do seu tempo aos outros mas não sabe por onde começar. Na própria rua ou do outro lado do mundo, com trabalhos mais ou menos especializados. Até para quem gosta de pagar para trabalhar. Sim: essas pessoas existem.

Bolsa do Voluntariado

Uma espécie de classificados para quem oferece e quem procura trabalho voluntário. A


Bolsa do Voluntariado

foi criada há seis anos pela Entrajuda, uma instituição privada de solidariedade social, para que houvesse “uma ponte entre quem quer dar e quem precisa de receber”. No site, podem registar-se candidatos que querem “dar tempo por uma causa” ou voluntários especialistas, também organizações que precisem de divulgação ou empresas que precisem de voluntários. 

Voluntariado Jovem

Também destinado a jovens, mas dentro de fronteiras. O


Voluntariado Jovem

, promovido pelo Instituto Português da Juventude, agrega projectos de curta ou longa duração por todos os distritos e em várias áreas de intervenção. Apoio a crianças ou a idosos, reabilitação e renovação das áreas urbanas, direitos humanos ou igualdade de género, só para dar alguns exemplos. E há lugar para todos (a pesquisa pode mesmo ser feita por distrito e pelos dias da semana em que se está disponível).

Serviço Voluntário Europeu

Uma das formas mais fáceis de fazer voluntariado enquanto se conhece outro país. E com muito por onde escolher: são 4000 os projectos na base de dados da Comissão Europeia. As oportunidades estão espalhadas pelos 27 Estados-membros e mais algumas dezenas de parceiros de todo mundo e abrangem as mais variadas áreas. Podem candidatar-se ao


Serviço Voluntário Europeu

jovens com idades entre os 18 e os 30 anos. A duração de cada projecto pode ir até aos 12 meses e a lista de vagas é diariamente actualizada no site.

Nações Unidas

Esta sugestão não é para quem quer fazer voluntariado durante umas semanas, durante umas férias. Os projectos de


voluntariado das Nações Unidas

não duram menos de seis meses a um ano e os critérios de selecção são dos mais exigentes: mais de 25 anos, formação superior, dois anos de experiência profissional e domínio de pelo menos uma língua estrangeira. Os programas da ONU, em cooperação com governos e organizações locais, abrangem 130 países e 115 categorias profissionais, da agricultura à saúde, passando pela educação e pelo desenvolvimento de comunidades.

Go Abroad

Pagar para trabalhar noutro país? Sim, há quem queira. Viajar não tem de ser apenas conhecer novos lugares de guia turístico em punho e há muita oferta de programas de voluntariado em viagem, em que os custos da deslocação e do alojamento ficam a cargo dos participantes. O site


Go Abroad

agrega 27.000 participantes neste tipo de programa de voluntariado. Entre os destinos mais populares estão a Índia, o Peru, a África do Sul, a Costa Rica, a Tailândia e o Equador. Os projectos na área da saúde, construção, conservação da natureza ou trabalho em orfanatos são dos mais populares.

Do Something

O site Do Something, da TESE, Associação para o Desenvolvimento, é uma plataforma online criada para motivar jovens para causas – por exemplo, nas áreas do ambiente, das artes, da discriminação ou da pobreza. Depois de decidirem qual é a sua causa, são guiados na escolha de projectos em que podem fazer


voluntariado

. E se não houver nenhum que lhes agrade totalmente, podem criar o próprio projecto.

Mais Valia

Um projecto de voluntariado que não é para jovens. A Fundação Calouste Gulbenkian criou um novo programa de voluntariado especializado, destinado a pessoas com mais de 55 anos. O destino dos profissionais das áreas da saúde, educação e artes a que se dirige o programa Mais Valia são os PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa). Para reformados, desempregados ou pessoas no activo que possam tirar umas férias mais compridas do que o costume. Cada missão tem a duração de dois meses e as


candidaturas

decorrem até ao final de Abril.

Recados & Companhia

Para promover a solidariedade inter-geracional, o Instituto Português da Juventude criou uma rede de voluntariado jovem de solidariedade inter-geracional a funcionar em Sintra, Loures, Setúbal, Gaia, Coimbra e Porto, chamada


Recados & Companhia

. Aqui ser voluntário significa acompanhar idosos no dia-a-dia. Nas idas às compras ou ao médico, num passeio. Às vezes, apenas fazer companhia. Podem candidatar-se jovens com idades entre os 16 e os 30 anos.

Programa {Aconchego}

“Companhia para quem precisa, casa para quem estuda.” Ainda antes dos cortes nas bolsas de estudo do ensino superior, antes de os universitários terem aderido à moda da marmita, já a Fundação Porto Social e a Federação Académica do Porto tinham encontrado forma de dar alojamento (quase) gratuito a parte dos estudantes que chegavam de fora. Um grupo seleccionado de idosos disponibiliza quartos que tenham a mais, os hóspedes retribuem com companhia (dinheiro, só para ajudar a pagar as contas da água e da luz). Este foi um dos primeiros projectos do género, que se foram multiplicando depois por outras cidades. Em Coimbra, por exemplo, existe o Lado a Lado.


Pista Mágica

Em Matosinhos, foi criada uma escola que dá formação exclusivamente na área do voluntariado, chamada


Pista Mágica

. Os cursos destinam-se a quem é ou quer ser voluntário, a quem quer lançar um projecto ou criar uma organização sem fins lucrativos ou a quem gere equipas de voluntários. O objectivo da escola, lê-se no site, é uma mudança de paradigma: na base da solidariedade não deve estar apenas a boa vontade mas o “fazer bem”.