Algarve quer atrair turismo sénior e ser a Florida da Europa

Algarve, come and live here é o nome de um site, assumido como movimento cívico, que quer chamar novos residentes

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Nuno Ferreira Santos

Constantino Jordan lançou na Internet, no início da Primavera, uma campanha: Algarve, come and live here. A ideia, explica, nasceu da necessidade de ir mais além na captação de novos mercados. "Portugal já bateu no fundo, mas ainda não bateu contra a parede", enfatiza. O empresário, ligado desde a década de 90 à promoção da Quinta do Lago e Vilamoura XXI - empreendimentos que o pai [André Jordan] lançou - pretende criar uma nova imagem turística da região, utilizando as redes sociais. "Foi fácil vender o Algarve", admite. Mas, agora, que fazer a milhares de camas vazias? 

A solução, diz, está na capacidade de atrair "pessoas de todo o mundo para viverem cá". Com este objectivo em vista lançou o movimento cívico Come and live here. "Durante o Verão, e porque havia muito trabalho, não estivemos muito activos, mas agora vamos recomeçar", adianta. As câmaras de Tavira e São Brás de Alportel, porque existe nesses concelhos uma importante comunidade de estrangeiros residentes, "manifestaram interesse em associar-se ao movimento". Mas o grande apoio, acrescenta, recebeu dos próprios estrangeiros residentes: "Precisamos de aumentar a capacidade de comunicar com a comunidade estrangeira e o Algarve tem de se virar mais para o exterior", conclui.

O ponto de partida para o projecto Come and live here foi uma pergunta que lançou a si próprio: "Em que é que, no mundo, o Algarve se pode enquadrar?" Constantino Jordan lembrou-se de histórias contadas por amigos que conheceram a região quando ainda faziam férias com os pais. Desse passado, recorda, guardaram a nostalgia dos tempos de juventude e regressaram mais tarde, já com família constituída, para investir na compra de uma casa de férias. 

Estima-se que a comunidade de britânicos residentes chegue aos 50 mil. "Escolheram um lugar com qualidade de vida e seguro". No entanto, quando chega a fase da vida em que necessitam de mais cuidados de saúde, muitos regressam ao país de origem. "Isso é que está errado", sublinha Constantino Jordan, defendendo a necessidade de existir uma maior divulgação dos clínicas que existem na região. "O Algarve já dispõe de uma boa oferta de serviços de saúde e isso tem de ser divulgado - é fundamental para atrairmos o turismo sénior", defende

As estatísticas oficiais referem que a região recebe cerca de cinco milhões de visitantes por ano. Ora, bastaria um "aumento de 1% para termos mais 50 mil turistas, e provavelmente mais 15 mil lares ocupados". Com os preços do imobiliário "em baixa", o promotor entende que "estão reunidas as condições para atrair o turismo sénior, convidando-os a virem para cá viver". Os voos low cost tornaram o Algarve ainda mais acessível. "Mas o mercado sénior nunca foi trabalhado - por exemplo, não foram construídos lares onde os estrangeiros se pudessem sentir como nas suas próprias casas, respeitando os hábitos e as culturas diferentes". 

Um outro segmento de mercado que diz estar ao alcance do Algarve situa-se nos quadros técnicos: "Pessoas com trabalho independente podem viver no Algarve e prestar serviço para qualquer parte do mundo". As redes sociais são a ferramenta com que o empresário conta para dar a conhecer uma região que fecha hotéis, bares e restaurantes, quando, oficialmente, se declara o encerramento da época balnear, ainda que o bom tempo se prolongue pelo Inverno adentro. Constantino Jordan pretende criar uma comunidade na plataforma digital. Deste modo, o sol, praias e golfe estão ao alcance (virtual) de qualquer um, embora na realidade não seja bem assim.