Maré negra leva EUA a suspenderem novos contratos com a BP

Depois de se declarar culpada da maré negra do Golfo do México, petrolífera britânica tem agora de provar que cumpre normas norte-americanas.

Foto
Explosão em 2010 fez 11 mortos e causou a maior maré negra dos EUA Reuters

A decisão surge duas semanas depois de um acordo judicial em que a BP se declarou culpada criminalmente de várias acusações relacionadas com o acidente na plataforma Deepwater Horizon, cuja explosão matou 11 pessoas e derramou 4,9 milhões de barris de petróleo no Golfo, ao longo de três meses.

A Agência de Protecção Ambiental norte-americana (EPA, na sigla em inglês) justificou, num comunicado, a suspensão de novos contratos com “a falta de integridade empresarial da BP, como ficou demonstrado pela conduta da empresa em relação ao acidente da Deepwater Horizon”.

A EPA recorda que a BP assumiu a responsabilidade em 11 acusações criminais, incluindo as de negligência, obstrução ao Congresso e violações à legislação norte-americana sobre a qualidade da água e a protecção de aves migratórias. Em casos destes, diz a EPA, a interdição de novos contratos é um procedimento padrão.

A BP não poderá obter novas licenças de exploração, nem financiamento público, nem ter outros tipos de transacções com a administração central “até que a empresa consiga apresentar provas suficientes de que cumpre os padrões federais para os negócios”. Os contratos em vigor mantêm-se.

A suspensão é mais um capítulo na história da maré negra do Golfo do México, que está a custar caro à petrolífera britânica. No acordo judicial de há duas semanas a BP aceitou pagar uma multa recorde de 4500 milhões de dólares (cerca de 3500 milhões de euros), em troca de não haver mais processos-crime.

Esta, no entanto, é apenas mais uma parcela nas responsabilidades da empresa pelo acidente de 2010. A BP já gastou mais de 14 mil milhões de dólares (11 mil milhões de euros) nas operações de limpeza e criou um fundo de 20 mil milhões de dólares (15 mil milhões de euros) para pagar indemnizações às comunidades afectadas.

Numa reacção à decisão da EPA, a BP afirma que tem dialogado com a agência norte-americana, tendo já apresentado uma declaração de responsabilidade e mais de 100 páginas de informações adicionais.

“Como está claro nas declarações da BP à EPA, a empresa tem feito melhorias significativas desde o acidente”, declara a petrolífera, num comunicado. A empresa diz que adoptou todas as recomendações de uma investigação interna lançada após o acidente e que adoptou normas de segurança mais rígidas do que a lei exige.

A EPA, segundo o comunicado da BP, estará a preparar um acordo administrativo que “resolverá efectivamente e levantará esta suspensão temporária [dos contratos]”.

A empresa recorda que nos últimos anos investiu mais nos Estados Unidos (cerca de 40 mil milhões de euros) do que qualquer outra companhia petrolífera em qualquer outro país.

Sugerir correcção
Comentar